domingo, 31 de agosto de 2008

Renina Katz













Katz, Renina
Passeio Laranja , s.d.
litografia, c.i.d.
38,9 x 57,9 cm [mancha]
50,2 x 70 cm [papel]
Acervo Banco Itaú S.A. (São Paulo, SP)
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Charlotta Adlerová














Adlerová, Charlotta
Pastorale V , 1961
óleo sobre tela
73 x 92 cm
Reprodução Fotográfica Autoria Desconhecida

Marcos Históricos
1951 - Atelier-Abstração

domingo, 24 de agosto de 2008

Más una vez... BRUNA LOMBARDI

UMA MULHER

Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela

a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca

uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora

o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.

Luíza Possi

martes, 19 de agosto de 2008

Mara Faturi

INSÔNIA

Têm noites que eu ando voadeira


Como se fosse inseto vagando
Batendo ( se debatendo)
na luz difusa da lâmpada acessa


não humana
não sentimento
não vertente
não pulsante


sem Orides
sem seus poemas
sem verbo
sem vibrar


noites de insônia
sonambulando
pela casa
recitando baixinho


-“nunca amar o que não vibra, nunca crer no que não canta"



ESPIA

Adiciono blogs de poesia

como se fossem salmos

e ali, muitas vezes

descubro santos

e santas

que me salvam da rotina

dos dias sem poesia



à noite

me ajoelho e rezo

agradeço pelas metáforas

rimas

ritmo

suspiros

luas

quimeras

desaparências

borboletas no quintal

e o cântico das palavras,

então adormeço

livre

de todo o pecado...

sábado, 16 de agosto de 2008

Márcia Cardeal















Retalhos de palavras, cores:
colagens tão femininas.
lindas composições, sementes
e quimeras de Márcia Cardeal.

viernes, 15 de agosto de 2008

lunes, 11 de agosto de 2008

Wilson Guanais

Poético

já no começo
da conversa

transformo
nada
em
coisa nenhuma

: ou
vice-versa.

Epitáfio

deito aqui
os ossos
sem alma
e memória
: restos
apenas

de tudo
aquilo que
até ontem
eu era
- não sou
mais

: navio
e tripulação
(de amores)

- fantasmas.

Instantâneo

a mosca
e sua
aranha

dois
mistérios
e uma
teia

tecidos
do mesmo
fio.

lunes, 4 de agosto de 2008

Líria Porto

ressaca

era o sorriso da lua
estampado no horizonte
usava batom dourado
parece tinha beijado
a boca do sol de ontem

em vão

o moço boca de beijo
de cheiro bom e bigodes
aposto que nem se lembra
do quanto gosto que venha
ao portãozinho da frente
para um dedinho de prosa

adeus flor de miosótis
flor de açucena de abóbora
a noite chegou o vento
a nuvem a chuva a tristeza
a moita virou touceira
ficou escuro - e agora?

domingo, 3 de agosto de 2008

D'Noronha

Sem Título número 20










Mista sobre tela - 90 x 160 cm - ano 2006 - Acervo Marlete Fachinni

Victor Brecheret









Victor Brecheret
Três Graças, c. 1930
Terracota
Doação Simone Bordat

jueves, 31 de julio de 2008

Cynthia Lopes

A Ponte

uma via de mão dupla
sem acostamento
a mureta estreita
tudo muito simples:
soltar as amarras
ou
deixar cair a pedra?


Amor à distância

um ponto
a outro
um quase nada
um muito tudo
igualmente
profundo


Oriental

Uma rara flor do Oriente.
Delicados gestos, lenços
e cores, dança guiada
pelo som de sementes
atiradas ao acaso.

A rosa desabrocha
para olhos de ressaca.
Cega a flor segue o ritmo
de seus precisos passos
sem perceber a serpente,

que sem constrangimento
arma o bote desfazendo
laços, expondo o marfim
das suas pétalas, pele.
Ah, serpente que corrompe

tudo aquilo em que toca!
Da aparência frágil, os
espinhos – adagas, que
voam rasgando o denso
coração das trevas.

jueves, 24 de julio de 2008

Maria Rita

Feliz

Autor(es): Dudu Falcão

viernes, 18 de julio de 2008

Hector Carybé










Cena da Bahia
óleo sobre tela, ass. dat. 1976 inf. dir.
120 x 60 cm

domingo, 13 de julio de 2008

viernes, 11 de julio de 2008

jueves, 10 de julio de 2008

Lygia Clark













Trepante (1959)











Nostalgia do corpo "objetos relacionais"
1965-88

Fanny Luíza Dupré

Primavera

De asas multicores
pousam nas flores do campo
frágeis borboletas.

Raios de luar.
Bolhas nas águas do lago.
Saltam rãs e sapos.


Inverno


Rua esburacada.
Brincando nas poças d’água.
O menino tosse.

domingo, 6 de julio de 2008

Ana Amélia

TEXTOS EN ESPAÑOL

TRADUCCIÓN DE

ADOVALDO FERNANDES SAMPAIO



FELICES


Felices son los poetas soñadores

Cuyos cuerpos en bronces perpetuados

Reposan en jardines y entre flores.



En los ojos vacíos de esos viejos rostros

Yo siento la mirada de artistas extasiados

Que ven cómo florecen las plantas y los árboles.



Felices los que fueron por las calles,

Visionários del sueño y de la belleza,

Cantando ajenas penas como suyas



Y que, aun recordados a su muerte,

En médio de la naturaleza floreciente,

Permanecen como símbolos sagrados.



Felices los que viven sin grandeza,

Pues serán para siempre recordados.





Extraído de la obra

VOCES FEMENINAS DE LA POESÍA BRASILEÑA

Goiânia: Editora Oriente, s.d

viernes, 4 de julio de 2008

Mistério do Planeta (Novos Baianos)

Marisa Monte e Paulinho Boca de Cantor

martes, 1 de julio de 2008

VI FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY 2008



Do dia 02/7/2008 a 06/07/2008

http://www.flip.org.br/






FLIP terá transmissão ao vivo de todas as mesas
Buscado atender ao constante crescimento de público, este ano a FLIP terá transmissão ao vivo na internet para todas as mesas. A inovação permitirá que qualquer pessoa possa acompanhar através do hotsite www.oi.com.br/flip os debates dos autores em tempo real.

viernes, 27 de junio de 2008

Alfredo Rossetti - Haicais

Acordar em mim
Abrir a porta e sair.
Poesia é assim.

O amor inunda
A vida (antes perdida)
Na noite profunda.

Um cacho de uva
Retem e faz sua refém
A gota de chuva.

José Pancetti

domingo, 22 de junio de 2008

Gregório de Matos - *Nosso poeta radical do séc. XVII

Soneto

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.


O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.


Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.


O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c'os demais, que só, sisudo.


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Epílogos


Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.


O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.


Quem a pôs neste socrócio?..........Negócio
Quem causa tal perdição?.............Ambição
E o maior desta loucura?...............Usura.


Notável desventura
de um povo néscio, e sandeu,
que não sabe, que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.


Quais são os seus doces objetos?....Pretos
Tem outros bens mais maciços?.....Mestiços
Quais destes lhe são mais gratos?...Mulatos.


Dou ao demo os insensatos,
dou ao demo a gente asnal,
que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.


Quem faz os círios mesquinhos?...Meirinhos
Quem faz as farinhas tardas?.........Guardas
Quem as tem nos aposentos?.........Sargentos.


Os círios lá vêm aos centos,
e a terra fica esfaimando,
porque os vão atravessando
Meirinhos, Guardas, Sargentos.


E que justiça a resguarda?.............Bastarda
É grátis distribuída?......................Vendida
Que tem, que a todos assusta?.......Injusta.


Valha-nos Deus, o que custa,
o que El-Rei nos dá de graça,
que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.


Que vai pela clerezia?..................Simonia
E pelos membros da Igreja?..........Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?.....Unha.


Sazonada caramunha!
enfim que na Santa Sé
o que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.


E nos frades há manqueiras?.........Freiras
Em que ocupam os serões?............Sermões
Não se ocupam em disputas?.........Putas.


Com palavras dissolutas
me concluís na verdade,
que as lidas todas de um Frade
são Freiras, Sermões, e Putas.


O açúcar já se acabou?..................Baixou
E o dinheiro se extinguiu?.............Subiu
Logo já convalesceu?.....................Morreu.


À Bahia aconteceu
o que a um doente acontece,
cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.


A Câmara não acode?...................Não pode
Pois não tem todo o poder?...........Não quer
É que o governo a convence?........Não vence.


Que haverá que tal pense,
que uma Câmara tão nobre
por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence.


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

viernes, 20 de junio de 2008

Manabu Mabe










Manabu Mabe
1924 - 1997
Sem título

óleo sobre tela
150 x 150 cm
cid 1965/66

Reproduções:
Livro Acervo Banco Chase Manhattan 1989 página 80.
Livro História de uma coleção - JPMorgan 2003 página 61.

Djanira