primeiro verso do ano
é pra você
brisa que passa
deixando marca de brasa
Do livro DOIS EM UM,publicado em 2008 - Editora Iluminuras.SP
domingo, 28 de diciembre de 2008
viernes, 26 de diciembre de 2008
Esculturas em mármore de Ricardo Kersting
jueves, 25 de diciembre de 2008
¡Feliz navidad y feliz año nuevo!
sábado, 29 de noviembre de 2008
A rosa de Hiroxima

Vinícius de Moraes
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
domingo, 23 de noviembre de 2008
viernes, 14 de noviembre de 2008
viernes, 24 de octubre de 2008
lunes, 20 de octubre de 2008
Helena Quental
Miragem
Nem te vendo, estou crendo
Que te vejo e que estás sendo,
Uma coisa, um personagem!
Junto letras, crio palavras;
Te arquiteto, te construo!
Fabrico tua imagem
E te espero desde ontem,
Na estação que está no espelho.
...Naquele trem que não chega;
No trem que nunca vem...
Miragem, miragem, miragem!
Nem te vendo, estou crendo
Que te vejo e que estás sendo,
Uma coisa, um personagem!
Junto letras, crio palavras;
Te arquiteto, te construo!
Fabrico tua imagem
E te espero desde ontem,
Na estação que está no espelho.
...Naquele trem que não chega;
No trem que nunca vem...
Miragem, miragem, miragem!
sábado, 11 de octubre de 2008
Judas Isgorogota

Os Pêssegos
Mando-te, amor, uns pêssegos, dourados,
aureolados de cetíneos fios;
tenros como os teus seios, perfumados,
frágeis, sedosos, tépidos, macios ...
Lembra teu colo, de veludo-rosa,
a polpa suave, sedutora, amena,
de indizível doçura, capitosa,
como o teu lábio de mulher morena...
Qual se de nétar fabricada fosse,
tem o sabor divino da ambrosia;
doce como os teus olhos, juraria
que só o sorriso teu é assim tão doce...
Toma-os nos braços teus, com tais cuidados
e de maneira tal todos unindo,
que, maduros que estão, de sazonados
não se vão machucando e diluindo...
Mas, abraçando-os, com efetivo encanto,
faze que os seios túrgidos, rosados,
juntos, agora, aos pêssegos dourados,
não se misturem nem se igualem tanto...
Não sorrias, amor, de meus receios...
Evitarás, assim, que estas amenas
visões, tão lindas — pêssegos e seios —
não me pareçam pêssegos, apenas...
VOCÊ
Você...Você é tudo o que eu queria...
Tudo o que anseio que a ilusão me dê...
O meu sonho de amor de todo dia
Que nos meus olhos úmidos se lê...
Minha felicidade fugidia,
O meu sonho é você.....
Você...Você é a própria poesia
De tudo quanto em volta a mim se vê.
Se Deus quisesse dar-me certo dia
Tudo aquilo que eu quero que me dê,
Eu, sem pensar ao menos, pediria
Que me desse você!
Sonhos... glória imortal... seria um louco
Pedir tanta ilusão... Não sei por que,
Mesmo a ventura, que possuo tão pouco,
E tudo o mais que a vida ainda me dê,
Fortuna...amor...tudo eu daria, tudo,
Por você!
É que você tem todos os venenos...
É que seus lábios têm um não sei quê...
Os olhos de você são dois morenos
Que andam fazendo à noite cangerê...
Por tudo isso, eu pediria, ao menos,
Um pedacinho de você!
(As Amáveis Lembranças)
viernes, 3 de octubre de 2008
Liz Kasper
viernes, 26 de septiembre de 2008
In Extremis - Cairo Trindade
Quero que venhas,
cheia de desejos,
com a alma nua,
a me cobrir de beijos.
Quero que entres plena,
tragas mil carícias,
sede por lascívias,
fome de prazer.
Quero que chegues
como quem vai matar.
E que fiques,
como quem vai morrer.
cheia de desejos,
com a alma nua,
a me cobrir de beijos.
Quero que entres plena,
tragas mil carícias,
sede por lascívias,
fome de prazer.
Quero que chegues
como quem vai matar.
E que fiques,
como quem vai morrer.
Noite Vazia
SINOPSE
Dois amigos contratam os serviços de uma dupla de prostitutas. O que seria uma noite de prazer acaba se transformado em um embate entre os quartos, revelando pouco a pouco suas angústia e ressentimentos e aflorando seus sentimentos mais íntimos e profundos. Obra máxima de Walter Hugo Khouri, considerado por críticos e público como um dos filmes mais importantes do cinema nacional em todos os tempos.
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miércoles, 24 de septiembre de 2008
João Cabral de Melo Neto
Os Três Mal-Amados
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu
minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu
meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu
escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu
metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o
número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha
altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus
testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus
livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras
que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha,
escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o
uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no
banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e
das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas
dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a
escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos
olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre
nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua
chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do
largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma
mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos
mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras,
comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares,
cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas
chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia.
Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em
verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os
minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minhamão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta.
Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em
volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu
inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo
da morte.
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu
minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu
meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu
escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu
metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o
número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha
altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus
testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus
livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras
que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha,
escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o
uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no
banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e
das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas
dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a
escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos
olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre
nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua
chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do
largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma
mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos
mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras,
comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares,
cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas
chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia.
Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em
verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os
minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minhamão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta.
Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em
volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu
inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo
da morte.
martes, 23 de septiembre de 2008
Carlos Nejar
Soltos de imensidão
Os anos, Elza, já não gravam nada,
porque gravamos nós o tempo todo.
O teu cuidar, faz-me animar o fogo
e cada dia em nós, jamais se apaga.
Provados somos e o provar é um gomo
desta romã partida pelas águas.
Somos o fruto, somos a dentada
e a madureza de ir no mesmo sonho.
Os anos, Elza, não consertam mágoas,
mas as mágoas não correm, se corremos.
Não encanece a luz, onde são remos
da limpa madrugada, os nossos corpos.
Amamos. No existir estamos soltos,
soltos de imensidão entre as palavras.
Os meus sentidos
Um dia vi Deus numa palavra
e luminosa despontava, argila.
E Deus vagueava tudo, aquietava
as numinosas letras, quase em fila.
E depois se banhava nesta ilha
de bosques e bilênios. Clareava
as formigas noctâmbulas da fala.
E nele os meus sentidos se nutriam.
Os meus sentidos eram coelhos ébrios
na verdura de Deus entretecidos.
A palavra empurrava o que era cego,
a palavra luzia nos sentidos.
E Deus nas vistas do menino, roda
e roda nos olhos da palavra.
Os anos, Elza, já não gravam nada,
porque gravamos nós o tempo todo.
O teu cuidar, faz-me animar o fogo
e cada dia em nós, jamais se apaga.
Provados somos e o provar é um gomo
desta romã partida pelas águas.
Somos o fruto, somos a dentada
e a madureza de ir no mesmo sonho.
Os anos, Elza, não consertam mágoas,
mas as mágoas não correm, se corremos.
Não encanece a luz, onde são remos
da limpa madrugada, os nossos corpos.
Amamos. No existir estamos soltos,
soltos de imensidão entre as palavras.
Os meus sentidos
Um dia vi Deus numa palavra
e luminosa despontava, argila.
E Deus vagueava tudo, aquietava
as numinosas letras, quase em fila.
E depois se banhava nesta ilha
de bosques e bilênios. Clareava
as formigas noctâmbulas da fala.
E nele os meus sentidos se nutriam.
Os meus sentidos eram coelhos ébrios
na verdura de Deus entretecidos.
A palavra empurrava o que era cego,
a palavra luzia nos sentidos.
E Deus nas vistas do menino, roda
e roda nos olhos da palavra.
lunes, 15 de septiembre de 2008
viernes, 12 de septiembre de 2008
domingo, 7 de septiembre de 2008
DE PAPO PRO Á
Música de Olegário Mariano e Gilberto de Carvalho
Letra abaixo, para os ouvintes, uma poesia de Olegário Mariano
Olegário Mariano
De papo pro á
I
Não quero outra vida
Pescando no rio
De jereré
Tenho peixe bom...
Tem siri-patola
De dá com o pé
Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro á
II
Se compro na feira
Feijão rapadura
Pra que trabaiá
Eu gosto do rancho
O home não deve
Se amofiná
Estribilho
In: MASCARENHAS, Mário. O melhor da música popular brasileira. São Paulo: Irmãos Vitale, 1982. v.4, p.146-147
I
Não quero outra vida
Pescando no rio
De jereré
Tenho peixe bom...
Tem siri-patola
De dá com o pé
Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro á
II
Se compro na feira
Feijão rapadura
Pra que trabaiá
Eu gosto do rancho
O home não deve
Se amofiná
Estribilho
In: MASCARENHAS, Mário. O melhor da música popular brasileira. São Paulo: Irmãos Vitale, 1982. v.4, p.146-147
domingo, 31 de agosto de 2008
Renina Katz
Charlotta Adlerová
domingo, 24 de agosto de 2008
Más una vez... BRUNA LOMBARDI
UMA MULHER
Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.
Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.
martes, 19 de agosto de 2008
Mara Faturi
INSÔNIA
Têm noites que eu ando voadeira
Como se fosse inseto vagando
Batendo ( se debatendo)
na luz difusa da lâmpada acessa
não humana
não sentimento
não vertente
não pulsante
sem Orides
sem seus poemas
sem verbo
sem vibrar
noites de insônia
sonambulando
pela casa
recitando baixinho
-“nunca amar o que não vibra, nunca crer no que não canta"
ESPIA
Adiciono blogs de poesia
como se fossem salmos
e ali, muitas vezes
descubro santos
e santas
que me salvam da rotina
dos dias sem poesia
à noite
me ajoelho e rezo
agradeço pelas metáforas
rimas
ritmo
suspiros
luas
quimeras
desaparências
borboletas no quintal
e o cântico das palavras,
então adormeço
livre
de todo o pecado...
Têm noites que eu ando voadeira
Como se fosse inseto vagando
Batendo ( se debatendo)
na luz difusa da lâmpada acessa
não humana
não sentimento
não vertente
não pulsante
sem Orides
sem seus poemas
sem verbo
sem vibrar
noites de insônia
sonambulando
pela casa
recitando baixinho
-“nunca amar o que não vibra, nunca crer no que não canta"
ESPIA
Adiciono blogs de poesia
como se fossem salmos
e ali, muitas vezes
descubro santos
e santas
que me salvam da rotina
dos dias sem poesia
à noite
me ajoelho e rezo
agradeço pelas metáforas
rimas
ritmo
suspiros
luas
quimeras
desaparências
borboletas no quintal
e o cântico das palavras,
então adormeço
livre
de todo o pecado...
sábado, 16 de agosto de 2008
Márcia Cardeal
viernes, 15 de agosto de 2008
lunes, 11 de agosto de 2008
Wilson Guanais
Poético
já no começo
da conversa
transformo
nada
em
coisa nenhuma
: ou
vice-versa.
Epitáfio
deito aqui
os ossos
sem alma
e memória
: restos
apenas
de tudo
aquilo que
até ontem
eu era
- não sou
mais
: navio
e tripulação
(de amores)
- fantasmas.
Instantâneo
a mosca
e sua
aranha
dois
mistérios
e uma
teia
tecidos
do mesmo
fio.
já no começo
da conversa
transformo
nada
em
coisa nenhuma
: ou
vice-versa.
Epitáfio
deito aqui
os ossos
sem alma
e memória
: restos
apenas
de tudo
aquilo que
até ontem
eu era
- não sou
mais
: navio
e tripulação
(de amores)
- fantasmas.
Instantâneo
a mosca
e sua
aranha
dois
mistérios
e uma
teia
tecidos
do mesmo
fio.
lunes, 4 de agosto de 2008
Líria Porto
ressaca
era o sorriso da lua
estampado no horizonte
usava batom dourado
parece tinha beijado
a boca do sol de ontem
em vão
o moço boca de beijo
de cheiro bom e bigodes
aposto que nem se lembra
do quanto gosto que venha
ao portãozinho da frente
para um dedinho de prosa
adeus flor de miosótis
flor de açucena de abóbora
a noite chegou o vento
a nuvem a chuva a tristeza
a moita virou touceira
ficou escuro - e agora?
era o sorriso da lua
estampado no horizonte
usava batom dourado
parece tinha beijado
a boca do sol de ontem
em vão
o moço boca de beijo
de cheiro bom e bigodes
aposto que nem se lembra
do quanto gosto que venha
ao portãozinho da frente
para um dedinho de prosa
adeus flor de miosótis
flor de açucena de abóbora
a noite chegou o vento
a nuvem a chuva a tristeza
a moita virou touceira
ficou escuro - e agora?
domingo, 3 de agosto de 2008
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