Ontem
ontem hoje amanhã e sempre
a mesma coisa
às vezes varea
escassa rarea
vaza enche esvazia
depende do dia
****************
Culpado
foi mal lhe mal
tratei
como um tratante
mal educado
muito infeliz
pouco elegante
espero que
você me dê
mais uma chance
serei atento
a seu desejo
daqui em diante
*********************
É proibido pisar na grama
o jeito é deitar e rolar
martes, 8 de febrero de 2011
martes, 25 de enero de 2011
viernes, 21 de enero de 2011
Manoel de Barros
Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
****************
Auto-Retrato Falado
Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
****************
Auto-Retrato Falado
Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
martes, 11 de enero de 2011
lunes, 10 de enero de 2011
Herculano Neto
isabela boscov não viu o
meu documentário
faço poses
para uma vitrine de tarjas pretas
(recolho a barriga
observo de soslaio)
o reflexo tosco
me diz sem escrúpulos
que tenho prazo de validade
e hora marcada para ser feliz
queria discordar
mas não há argumentos
(CINEMA – 2008)
*********
CORAÇÃO DESAJEITADO
Derrubando
Tropeçando
Esbarrando
Confundindo.
Até o coração é desajeitado.
meu documentário
faço poses
para uma vitrine de tarjas pretas
(recolho a barriga
observo de soslaio)
o reflexo tosco
me diz sem escrúpulos
que tenho prazo de validade
e hora marcada para ser feliz
queria discordar
mas não há argumentos
(CINEMA – 2008)
*********
CORAÇÃO DESAJEITADO
Derrubando
Tropeçando
Esbarrando
Confundindo.
Até o coração é desajeitado.
viernes, 7 de enero de 2011
miércoles, 29 de diciembre de 2010
CONVITE (Celestino Neto)
Alice Ruiz
viernes, 5 de noviembre de 2010
viernes, 17 de septiembre de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
É a mesma a ruazinha sossegada - Mario Quintana
É a mesma a ruazinha sossegada.
Com as velhas rondas e as canções de outrora...
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!
Mas parece que a luz está cansada...
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora...
Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos...
Mas para quê?... Se não adiantam mais!...
Pobres cartazes por aí afora
Que inda anunciam: - Alegria - Risos
Depois do Circo já ter ido embora!...
Com as velhas rondas e as canções de outrora...
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!
Mas parece que a luz está cansada...
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora...
Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos...
Mas para quê?... Se não adiantam mais!...
Pobres cartazes por aí afora
Que inda anunciam: - Alegria - Risos
Depois do Circo já ter ido embora!...
sábado, 21 de agosto de 2010
viernes, 30 de julio de 2010
Tatuagem na água (Jaci Bezerra)

No Recife me perco e me inauguro
Pisando acácias e águas machucadas,
No bolso o sol ferido, um sol maduro
Escorre, úmido, e acende a madrugada.
Uma árvore brota no meu peito impuro
acalentando a infância que, abismada,
brinca dentro de mim e dói no escuro
sempre por um menino acompanhada.
Nunca a essa cidade fui perjuro
nem nuca a reneguei, talvez por isso
ela me planta e aninha entre os seus muros,
e eu a carrego em mim, arrebatado,
apodrecendo nos mangues dos seus vícios
e amando como se nunca houvesse amado.
martes, 29 de junio de 2010
viernes, 18 de junio de 2010
Homenagem a Paulo Leminski
Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.
Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.
***
pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando
***
tudo claro
ainda não era o dia
era apenas o raio
***
Tudo o que eu faço
alguém em mim que eu desprezo
sempre acha o máximo.
Mal rabisco,
não dá mais para mudar nada.
Já é um clássico.
***
SEM BUDISMO
Poema que é bom
acaba zero a zero.
Acaba com.
Não como eu quero.
Começa sem.
Com, digamos, certo verso,
veneno de letra,
bolero. Ou menos.
Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
e sozinho.
***
moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia
***
casa com cachorro brabo
meu anjo da guarda
abana o rabo
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.
Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.
***
pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando
***
tudo claro
ainda não era o dia
era apenas o raio
***
Tudo o que eu faço
alguém em mim que eu desprezo
sempre acha o máximo.
Mal rabisco,
não dá mais para mudar nada.
Já é um clássico.
***
SEM BUDISMO
Poema que é bom
acaba zero a zero.
Acaba com.
Não como eu quero.
Começa sem.
Com, digamos, certo verso,
veneno de letra,
bolero. Ou menos.
Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
e sozinho.
***
moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia
***
casa com cachorro brabo
meu anjo da guarda
abana o rabo
domingo, 2 de mayo de 2010
lunes, 26 de abril de 2010
domingo, 21 de marzo de 2010
Cassiano Ricardo (1895-1974)
Iara, a mulher verde
Neste país de coisas em excesso
o sol me agride, o azul passa da conta.
No entanto, os poucos beijos que te peço
o teu amor futuro me desconta.
De tanto céu tenho a cabeça tonta.
O meu jornal é todo em verde impresso.
Só tu, a quem já um pássaro amedronta,
te fechas no mais íntimo recesso....
No país do excessivo, és muito pouca.
Vê a borboleta jovem, como esvoaça.
Vê como nos convida a manhã louca!
Por seres assim, se tudo é assombro,
se a própria nuvem branca – e com que graça –
só falta vir pousar em nosso ombro?
Neste país de coisas em excesso
o sol me agride, o azul passa da conta.
No entanto, os poucos beijos que te peço
o teu amor futuro me desconta.
De tanto céu tenho a cabeça tonta.
O meu jornal é todo em verde impresso.
Só tu, a quem já um pássaro amedronta,
te fechas no mais íntimo recesso....
No país do excessivo, és muito pouca.
Vê a borboleta jovem, como esvoaça.
Vê como nos convida a manhã louca!
Por seres assim, se tudo é assombro,
se a própria nuvem branca – e com que graça –
só falta vir pousar em nosso ombro?
viernes, 12 de marzo de 2010
Liana Timm
O QUE EU QUERO
o que eu quero?
uma vida onde o embaraço silencie
o disfarce
onde a confissão discuta
as trevas
não quero a afinação das mágoas
quero sim questões
que desalinhem
O AMOR É COMO UM GATO
o amor é como um gato
comedido
seduz ronronando
armadilha e bote
aconchego e mito
por isso desperto
e grito
O MESMO QUE SENTE
se me convém
finjo
estar exposta...não posso
o ser que fala
ao mesmo tempo sente
ainda outro
sempre ausente
vai
na varredura do vento
em remanejos
o que perdura
são nascentes
fluxos labirintos
ondas quentes
à espreita
o ser que finge repercute
e palpita
CRIATIVA
sempre vidro
água
sempre vento
quaisquer desejos
Intenso tempo de enganos e invenções
a vida é feita...
não!
a vida é rarefeita
não
a vida é muitas vezes
um choque elétrico
o que eu quero?
uma vida onde o embaraço silencie
o disfarce
onde a confissão discuta
as trevas
não quero a afinação das mágoas
quero sim questões
que desalinhem
O AMOR É COMO UM GATO
o amor é como um gato
comedido
seduz ronronando
armadilha e bote
aconchego e mito
por isso desperto
e grito
O MESMO QUE SENTE
se me convém
finjo
estar exposta...não posso
o ser que fala
ao mesmo tempo sente
ainda outro
sempre ausente
vai
na varredura do vento
em remanejos
o que perdura
são nascentes
fluxos labirintos
ondas quentes
à espreita
o ser que finge repercute
e palpita
CRIATIVA
sempre vidro
água
sempre vento
quaisquer desejos
Intenso tempo de enganos e invenções
a vida é feita...
não!
a vida é rarefeita
não
a vida é muitas vezes
um choque elétrico
Paulo Franchetti
epitagmata epitattein
estes poucos cabelos,
este gesto,
esta úlcera
e as coisas de praxe:
uma fita, este brilhante
palavras,
discos, móveis,
automóvel,
óculos
e o que quiser mais
desde que de novo
abaixe
docemente
o rosto
a nuca fique em abandono
a carne em desmaiada espera
fingindo
embora ou a valer
que a mesma dor
é o prazer
de dar prazer:
volúpia de perder,
vibrando apenas,
por um instante,
sob o rápido
e amoroso
golpe.
estes poucos cabelos,
este gesto,
esta úlcera
e as coisas de praxe:
uma fita, este brilhante
palavras,
discos, móveis,
automóvel,
óculos
e o que quiser mais
desde que de novo
abaixe
docemente
o rosto
a nuca fique em abandono
a carne em desmaiada espera
fingindo
embora ou a valer
que a mesma dor
é o prazer
de dar prazer:
volúpia de perder,
vibrando apenas,
por um instante,
sob o rápido
e amoroso
golpe.
sábado, 6 de marzo de 2010
Dia Internacional de Luta das Mulheres
sábado, 27 de febrero de 2010
jueves, 25 de febrero de 2010
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