martes, 22 de marzo de 2011

Bruno Steinbach


Cacaso

indefinição

pois assim é a poesia:
esta chama tão distante mas tão perto de
estar fria.


*************


happy end

meu amor e eu
nascemos um para o outro

agora só falta quem nos apresente


*************


alquimia sensual

tirante meus olhos e mãos
quero me transformar em seu corpo
com toda nudez experiente
do passado e do presente

e naquela noite
entre suspiros
terei aguardado a hora incrível
de tirar o sutiã

martes, 8 de febrero de 2011

Chacal

Ontem


ontem hoje amanhã e sempre
a mesma coisa
às vezes varea
escassa rarea
vaza enche esvazia
depende do dia

****************

Culpado


foi mal lhe mal
tratei
como um tratante

mal educado
muito infeliz
pouco elegante

espero que
você me dê
mais uma chance

serei atento
a seu desejo
daqui em diante

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É proibido pisar na grama


o jeito é deitar e rolar

martes, 25 de enero de 2011

viernes, 21 de enero de 2011

Manoel de Barros

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.


****************


Auto-Retrato Falado


Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.

martes, 11 de enero de 2011

lunes, 10 de enero de 2011

Herculano Neto

isabela boscov não viu o
meu documentário



faço poses
para uma vitrine de tarjas pretas

(recolho a barriga
observo de soslaio)

o reflexo tosco
me diz sem escrúpulos
que tenho prazo de validade
e hora marcada para ser feliz

queria discordar
mas não há argumentos

(CINEMA – 2008)


*********


CORAÇÃO DESAJEITADO


Derrubando
Tropeçando
Esbarrando
Confundindo.

Até o coração é desajeitado.

Helga Brüning


viernes, 7 de enero de 2011

miércoles, 29 de diciembre de 2010

CONVITE (Celestino Neto)















vamos incensar a alma
abrir as janelas dos olhos
deixar o sol entrar


botar o bloco na rua
tomar banho de chuva
com a vida deitar e rolar


usar todos os sentidos
só não faz sentido
deixar a vida passar

Alice Ruiz

















Tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados


Tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido


E tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado


Alice Ruiz

viernes, 5 de noviembre de 2010

Sylvia Martins
























Sutrinha2, 2008 oil on linen, 50 x 40 inches

viernes, 17 de septiembre de 2010

domingo, 22 de agosto de 2010

É a mesma a ruazinha sossegada - Mario Quintana

É a mesma a ruazinha sossegada.
Com as velhas rondas e as canções de outrora...
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!

Mas parece que a luz está cansada...
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora...

Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos...
Mas para quê?... Se não adiantam mais!...

Pobres cartazes por aí afora
Que inda anunciam: - Alegria - Risos
Depois do Circo já ter ido embora!...

sábado, 21 de agosto de 2010

viernes, 30 de julio de 2010

Tatuagem na água (Jaci Bezerra)















No Recife me perco e me inauguro
Pisando acácias e águas machucadas,
No bolso o sol ferido, um sol maduro
Escorre, úmido, e acende a madrugada.
Uma árvore brota no meu peito impuro
acalentando a infância que, abismada,
brinca dentro de mim e dói no escuro
sempre por um menino acompanhada.
Nunca a essa cidade fui perjuro
nem nuca a reneguei, talvez por isso
ela me planta e aninha entre os seus muros,
e eu a carrego em mim, arrebatado,
apodrecendo nos mangues dos seus vícios
e amando como se nunca houvesse amado.

martes, 29 de junio de 2010

Juarez Machado

O artista:













FORET-ENCHANTEE-Paris 2002


























Juarez Machado - Paris, 2006.


viernes, 18 de junio de 2010

Homenagem a Paulo Leminski

Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.

***

pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando

***

tudo claro
ainda não era o dia
era apenas o raio


***

Tudo o que eu faço
alguém em mim que eu desprezo
sempre acha o máximo.

Mal rabisco,
não dá mais para mudar nada.
Já é um clássico.


***

SEM BUDISMO

Poema que é bom
acaba zero a zero.
Acaba com.
Não como eu quero.
Começa sem.
Com, digamos, certo verso,
veneno de letra,
bolero. Ou menos.
Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
e sozinho.


***

moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia

vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia


***

casa com cachorro brabo
meu anjo da guarda
abana o rabo

domingo, 2 de mayo de 2010

lunes, 26 de abril de 2010

Petrillo


















200 x 100 cm branco

miércoles, 31 de marzo de 2010














Num vaso solitário
perfuma toda a sala
um único jasmim.


Áurea de Arruda Féres

domingo, 21 de marzo de 2010

IARA
















Sandra Honor, óleo sobre tela, 70x80 cm.

IARA





















By Cristiane Campos - Arte Naif

Cassiano Ricardo (1895-1974)

Iara, a mulher verde


Neste país de coisas em excesso
o sol me agride, o azul passa da conta.
No entanto, os poucos beijos que te peço
o teu amor futuro me desconta.

De tanto céu tenho a cabeça tonta.
O meu jornal é todo em verde impresso.
Só tu, a quem já um pássaro amedronta,
te fechas no mais íntimo recesso....

No país do excessivo, és muito pouca.
Vê a borboleta jovem, como esvoaça.
Vê como nos convida a manhã louca!

Por seres assim, se tudo é assombro,
se a própria nuvem branca – e com que graça –
só falta vir pousar em nosso ombro?

viernes, 12 de marzo de 2010

Márcio Melo










Muse in Repose
September 2, 2007
Acrylic on canvas / Acrylique sur toile
30" X 24" (76 cm × 61 cm)

Liana Timm

O QUE EU QUERO

o que eu quero?
uma vida onde o embaraço silencie
o disfarce
onde a confissão discuta
as trevas

não quero a afinação das mágoas
quero sim questões

que desalinhem


O AMOR É COMO UM GATO

o amor é como um gato
comedido
seduz ronronando
armadilha e bote
aconchego e mito

por isso desperto
e grito


O MESMO QUE SENTE

se me convém
finjo
estar exposta...não posso
o ser que fala
ao mesmo tempo sente

ainda outro
sempre ausente
vai
na varredura do vento
em remanejos

o que perdura
são nascentes
fluxos labirintos
ondas quentes

à espreita
o ser que finge repercute
e palpita


CRIATIVA

sempre vidro
água
sempre vento
quaisquer desejos

Intenso tempo de enganos e invenções

a vida é feita...
não!
a vida é rarefeita
não
a vida é muitas vezes
um choque elétrico

Paulo Franchetti

epitagmata epitattein


estes poucos cabelos,
este gesto,
esta úlcera
e as coisas de praxe:
uma fita, este brilhante
palavras,
discos, móveis,
automóvel,
óculos
e o que quiser mais
desde que de novo
abaixe
docemente
o rosto
a nuca fique em abandono
a carne em desmaiada espera
fingindo
embora ou a valer
que a mesma dor
é o prazer
de dar prazer:
volúpia de perder,
vibrando apenas,
por um instante,
sob o rápido
e amoroso
golpe.

sábado, 6 de marzo de 2010

Dia Internacional de Luta das Mulheres



No centro da foto, na frente do cartaz central, as atrizes Dina Sfat e Leila Diniz, ambas mulheres guerreiras, brasileiras e marcantes.

jueves, 25 de febrero de 2010

Beto Bertagna




http://betobertagna.com/