martes, 25 de enero de 2011
viernes, 21 de enero de 2011
Manoel de Barros
Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
****************
Auto-Retrato Falado
Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
****************
Auto-Retrato Falado
Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
martes, 11 de enero de 2011
lunes, 10 de enero de 2011
Herculano Neto
isabela boscov não viu o
meu documentário
faço poses
para uma vitrine de tarjas pretas
(recolho a barriga
observo de soslaio)
o reflexo tosco
me diz sem escrúpulos
que tenho prazo de validade
e hora marcada para ser feliz
queria discordar
mas não há argumentos
(CINEMA – 2008)
*********
CORAÇÃO DESAJEITADO
Derrubando
Tropeçando
Esbarrando
Confundindo.
Até o coração é desajeitado.
meu documentário
faço poses
para uma vitrine de tarjas pretas
(recolho a barriga
observo de soslaio)
o reflexo tosco
me diz sem escrúpulos
que tenho prazo de validade
e hora marcada para ser feliz
queria discordar
mas não há argumentos
(CINEMA – 2008)
*********
CORAÇÃO DESAJEITADO
Derrubando
Tropeçando
Esbarrando
Confundindo.
Até o coração é desajeitado.
viernes, 7 de enero de 2011
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