martes, 3 de mayo de 2016

Maurício Lima - Fotojornalismo no Brasil



Fotojornalismo
Mauricio Lima

Primeiro brasileiro a ganhar o Prêmio Pulitzer 2016 – dado aos melhores trabalhos jornalísticos e literários do mundo – pela cobertura dos refugiados na Europa e no Oriente Médio, além do World Press Photo e o Picture of The Year América Latina, que o considerou o melhor fotógrafo em 2015 pela documentação da Ucrânia e dos protestos no Brasil.

21/09/2010 às 0:01
Num país ocupado, a presença maciça da imprensa estrangeira ameaça transformar todas as imagens em clichês. Capturar a foto nova e verdadeiramente significativa é um desafio. O paulistano Mauricio Lima, 35 anos, com frequência é capaz de fazê-lo.
Mauricio trabalha há dez anos na Agence France Presse (AFP). Tornou-se um dos mais atuantes – e brilhantes – fotojornalistas brasileiros. No começo de 2010, depois de seis coberturas no Iraque e uma na Faixa de Gaza, ele ficou 75 dias no Afeganistão. “Tudo já foi fotografado”, diz ele. “Não só no Afeganistão, mas em qualquer país sob olhar internacional.” Seu método, então, é ficar atento ao cotidiano. “Meu interesse é mostrar com simplicidade que a vida segue, em seus diversos aspectos, mesmo sob ocupação militar.”
O ensaio Marjah após ofensiva: trabalhadores surgiu quando Mauricio acompanhava patrulhas dos fuzileiros navais americanos em conjunto com soldados afegãos em Marjah, no sul do país. Crianças que moravam nas proximidades do posto de combate realizavam trabalhos para os americanos, dentro de um programa para a recuperação da região. Cavavam buracos, queimavam o lixo recolhido nas redondezas e reparavam paredes destruídas. Ganhavam alguns dólares por semana.
Mauricio registrou o trabalho durante alguns dias. Depois, com a ajuda de um soldado afegão (com quem jantava dentro da base), conseguiu reunir os garotos e, em menos de 25 minutos, fez as fotos deste ensaio. Os garotos se acomodavam na janela e a foto era feita. Mais nada. Numa paisagem terrosa e cinzenta, a janela “aprisiona” os meninos. Mas é também uma abertura, uma passagem. São imagens poderosas de crianças de futuro incerto, num país em guerra.
“O que vi não foi nada de novo, exclusivo. A questão é saber abordar os assuntos e aprofundá-los de maneira pessoal”, diz Mauricio. Em 2011, quando o país completa dez anos sob ocupação ocidental , ele retorna ao Afeganistão.
Alexandre Belém













Endereço da matéria: http://veja.abril.com.br/blog/sobre-imagens/fotojornalismo/mauricio-lima/

jueves, 3 de septiembre de 2015

Maria Rezende

PAU MOLE

Adoro pau mole.
Assim mesmo.
Não bebo mate
não gosto de água de coco
não ando de bicicleta
não vi ET
e a-d-o-r-o pau mole.

Adoro pau mole
pelo que ele expõe de vulnerável e pelo que encerra de possibilidade.

Adoro pau mole
porque tocar um pressupõe a existência de uma intimidade e uma liberdade
que eu prezo e quero, sempre.

Porque ele é ícone do pós-sexo
(que é intrínseca e automaticamente
- ainda que talvez um pouco antecipadamente)
sempre um pré-sexo também.

Um pau mole é uma promessa de felicidade sussurrada baixinho ao pé do ouvido.

É dentro dele,
em toda a sua moleza sacudinte de massa de modelar,
que mora o pau duro e firme com que meu homem me come.


ECLIPSES EM ESCORPIÃO

mudança
revolução

Eu estou trocando de pele
e isso não é uma metáfora

Feito cobra nas vigas de outra casa
feito um feto quebrando cromossomos

Eu sou de outra galáxia
sou invenção de passarinhos
eu não existo exatamente
eu estou de onda com a sua cara

Eu sou exuberante
eu sou exagerada
sou a morena peituda
com que você sempre sonhou

Sou uma célula tronco
carne do umbigo
sou minha própria cura
drama discreto
lua em Leão

Eu não morro
eu vivo
eu sou a regeneração

Wifredo Lam

 Nu à la chaise - 1942

Mujer con pajara - 1955

viernes, 17 de julio de 2015

Eucanaã Ferraz




ESTA PLACA

Como se eu mesmo dissesse,
como se eu próprio afirmasse
(começa com eu, meu nome)
que sou o que me nomeia:
lugar de não ser ainda,
solo tão só prometido,
projeto de geografia
para depois de amanhã.
Meu nome não sou agora,
moro no mundo futuro.
Meu pai me deu esse nome
sem que eu pudesse fazê-lo.
Mal posso escrevê-lo certo
nos documentos que o pedem.
Não existo no meu nome,
coisa que vive sem mim.
Ele se diz sendo eu,
este nome que me afirma,
mas o que nele me aponta
é também o que me acusa
de eu não ser o que ele diz.
Queria viver sem nome,
ser o que sou: eu-ninguém.
Me chamarem — ei, você! —
e eu me reconheceria,
perfeitamente não sendo
senão uma coisa livre
do que jamais prometi.
Mas à cara está colada
(certas tintas não se apagam)
esta placa, este engano
à beira de mim-estrada.
Se terra, sou terra a terra,
o agora sem vaticínios
de um norte em que mel e leite
jorrassem fáceis, sem dor.
Só existo em chão estreito,
nuns versos de amor e morte,
palavras ditas no escuro,
fósforo, poço, você.
Sou o exilado do nome
que carrego, vice-versa,
sem ter nunca visto a pátria
que minto quando me digo
toda vez que respondo:
como é que você se chama?
Vou aos livros, não encontro.
Pergunto. Não está no atlas.
E o infinito infinito.
A terra estará cumprida
quando estiver concluída.
Então, morrerei ali,
sob ela, dentro dela,
sem ser eu, sem eu, não ser.

Do livro Escuta, Editora Companhia das Letras

lunes, 6 de julio de 2015

Cora Coralina

Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.




lunes, 24 de noviembre de 2014

Ana Cristina César

COMO RASURAR A PAISAGEM

a fotografia
é um tempo morto
fictício retorno à simetria

secreto desejo do poema
censura impossível
do poeta


PSICOGRAFIA

Também eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não sou e digo
a palavra: não digo (não posso ainda acreditar
na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto

lunes, 13 de octubre de 2014

Poty Lazzarotto








Mural no Centro Histórico da Cidade de Curitiba, no Estado do Paraná - Homenagem aos tropeiros.










Painel na Praça 19 de Dezembro na Cidade de Curitiba, no Estado do Paraná

martes, 7 de octubre de 2014

Arnaldo Antunes - Se tudo pode acontecer

Arnaldo Antunes

Estamos sob o mesmo teto
Arnaldo Antunes
O Globo: 25/07/2009

estamos sob o mesmo teto
secreto
onde o sol indesejável é barrado
eu e você
sob o mesmo nós
dois, sóis
sob o mesmo pôr
(o enigma do amor)
do sol
onde todo contorno finda
estamos
sob a mesma pálpebra
agora
já e ainda
intactos de aurora.

domingo, 24 de agosto de 2014

viernes, 25 de julio de 2014

Zuca Sardan

Drama nos Bastidores

O palhaço afinal
muito sem graça
era mesmo
além de careca
ladrão de mulher:
Só numa matinê
sumiu com cinco
bem gostosinhas...

Chamaram o delegado
que prendeu por engano
o domador de leões.

O palhaço se esbodegou
de rir e rolou
no camarim dos fundos
com duas mulheres nuas
e um prato de goiabada...
até o macaco
andou tirando umas casquinhas...

Este mundo anda mesmo
uma falta de vergonha...


In: SARDAN, Zuca. Ás de colete. Pref. Alcides Villaça. Il. do autor. 2.ed.ampinas: Ed. da Unicamp, 1994. p.113. (Matéria de poesia



Veludosa Cantilena

"E você
minha fofa gordinha
como se chama ?"
perguntou
pra juvenil Mosquinha
cheio de manha
o ardiloso
Doutor Aranha ...


In: SARDAN, Zuca. Osso do coração. Il. do autor. Campinas: Ed. da Unicamp, 1993. (Matéria de poesia)

martes, 8 de julio de 2014

lunes, 16 de junio de 2014

POÊMIA, poesia de pele e desejos



Últimos exemplares!!! 




Para adquirir um exemplar, entre em contato com a autora, no endereço: cynthiaaguiar@gmail.com

jueves, 27 de febrero de 2014

Siron Franco




A poesia de Marcos Caiado

11


e quando o amor chegar
não faça planos
nem suponha infinitudes:
deguste os quitutes.

quando o amor chegar
desfrute
do som dos atabaques.
se entregue aos batuques.

o amor provoca música
e faz bico às matemáticas:
tem seus próprios números
e truques.

quando, por acaso,o amor chegar
deixe estar!

se for para fazer planos,
que sejam aeroplanos.



 14


me encanta
afagar o nada pensando em ti
e depois florir que nem metáfora

me encanta o mantra breve do teu beijo:
tilintar de radinho, tique redemoinho
de ventilador quase sem ar...


me encanta perambular
entre a invenção da tua presença
e a reticência.






15


sombra


no quintal da minha casa,
nova sala florescera.

há um pé de sofá
onde havia a goiabeira.

viernes, 10 de enero de 2014

Manoel de Barros

"Palavra dentro da qual estou a milhões
de anos é árvore.
Pedra também.
Eu tenho precedências para pedra.
Pássaro também.
Não posso ver nenhuma dessas palavras que
não leve um susto.
Andarilho também.
Não posso ver a palavra andarilho que
eu não tenha vontade de dormir debaixo
de uma árvore.
Que eu não tenha vontade de olhar com
espanto, de novo, aquele homem do saco
a passar como um rei de andrajos nos
arruados de minha aldeia.
E tem mais: as andorinhas,
pelo que sei, consideram os andarilhos
Como árvore."

("Palavras" - Do Livro "O fazedor de amanhecer" - Manoel de Barros)

jueves, 26 de diciembre de 2013

domingo, 21 de julio de 2013

Carlos Nejar

Abandonei-me ao vento
 

Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode
explicar-te o vento que me invade.
E já perdi o nome ao som da morte,
ganhei um outro livre, que me sabe


quando me levantar e o corpo solte
o meu despojo vão. Em toda parte
o vento há-de soprar, onde não cabe
a morte mais. A morte a morte explode.


E os seus fragmentos caem na viração
e o que ela foi na pedra se consome.
Abandonei-me ao vento como um grão.


Sem a opressão dos ganhos, utensílio,
abandonei-me. E assim fiquei conciso,
eterno. Mas o amor guardou meu nome.
 

lunes, 10 de junio de 2013

martes, 26 de febrero de 2013

sábado, 26 de enero de 2013

Roseana Murray







CASA


Retiro o lastro da casa,
suas raízes na terra,
corto as amarras, as cordas,
tudo o que pesa se esvai.

Deixo que a tarde
com seu ar azul,
inunde a casa de luz,
retiro dos quatro cantos
a dor acumulada,
as flores mortas
e então, livre de todo o peso,
o relógio bate apenas
as horas de alegria
e em volta da mesa
todos os que partiram,
os que ficaram,
entrelaçam as mãos.

A casa voa.

domingo, 16 de septiembre de 2012

viernes, 7 de septiembre de 2012

Waly Salomão

Devenir, devir



Término de leitura

de um livro de poemas
não pode ser o ponto final.



Também não pode ser
a pacatez burguesa do
ponto seguimento.



Meta desejável:
alcançar o
ponto de ebulição.



Morro e transformo-me.


Leitor, eu te reproponho
a legenda de Goethe:
Morre e devém



Morre e transforma-te.   



Hoje



O que menos quero pro meu dia

polidez,boas maneiras.
Por certo,
               um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás...)

Hoje só quero ritmo.

Ritmo no falado e no escrito.
Ritmo, veio-central da mina.
Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.
Ritmo na espiral da fala e do poema.

Não está prevista a emissão

de nenhuma “Ordem do dia”.
Está prescrito o protocolo da diplomacia.
AGITPROP – Agitação e propaganda:
Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia.
Ápice do ápice.

Alguém acha que ritmo jorra fácil,

pronto rebento do espontaneísmo?
Meu ritmo só é ritmo
quando temperado com ironia.
Respingos de modernidade tardia?
E os pingos d’água
dão saltos bruscos do cano da torneira
                e
passam de um ritmo regular
para uma turbulência
                aleatória.

Hoje...