lunes, 18 de abril de 2011

Régis Bonvicino

Para Darly

À maneira de Creeley


Nada para um homem sujo
só água numa cuba
sequer um olhar

mãos sujas
aroma de
amantes talvez

ou além
alguma coisa como areia
para esfregar

com os dez dedos e ter
ao cabo —
o corpo dessa mulher


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COM A BRUNA

(ela aos 8 anos)



Ao atravessar o parque

folhas sob os pés

pisando, em mim, o outono


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O QUARTO



o quarto

cheio de espelhos

partidos



os cacos

de vidro

apinhados no cérebro



l

perseguem sonhos

cortam

na hora do sexo



De Más companhias, 1987


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VARIAÇÕES



Casa de asa da noite

Que pode ser a morte

outro destempo ímóvel

marés da lua incógnitas

eco das ondas. Morta

a podre língua amante

e seus ramos de sombra

Até que se abra a porta



De Ossos de borboleta, 1996

4 comentarios:

REGGINA MOON dijo...

Cynthia,

Linda postagem!!!Belos versos, parabéns!!

Um grande beijo e boa semana!!

Reggina Moon

Cynthia Lopes dijo...

Obrigada Reggina!
bjussss

Priscila Lopes dijo...

Muito bom. Muito bom mesmo!

Cynthia Lopes dijo...

Valeu, Pri!!
bjusss