nuvem outra
viver além do verbo
exercício de poucos
extensão que migra
extermínio dos ritos
passo fora do domínio
mergulhado no ilimite
algo imerso na pele
- turvo e impreciso
(poema vermelho)
*******************
eter na mente
milhas e milhas contidas
nos ombros arqueados
sem os ritos do horizonte
era como se fosses
um vento leve
em plena tempestade
colhendo as folhas secas
para o abrigo dos pássaros
a vida cumprida aos talhos
na pele desvestida
do tempo
caminho áspero
e sem volta
eterno ir e vir
de luas e sóis
num sumidouro de ecos
do silêncio
(poema vermelho)
jueves, 21 de julio de 2011
miércoles, 22 de junio de 2011
viernes, 3 de junio de 2011
Gilberto Mendonça Teles
O Anjo
Na boca da noite,
na língua da rua,
tu me chamas do oco
de uma sombra nua.
No riso do vento,
no olho da chuva,
me acenas de dentro
de uma coisa turva.
Envolves meu corpo
no teu mundo de água;
cada vez sou outro
noutro corpo e alma.
Conheço teus passos,
teus gestos conheço;
sobre os meus fracassos
vibra o teu começo.
Sobre o meu silêncio
cresce o teu ruído,
sobre a minha angústia
voa o teu segredo
e acima da noite,
sobre o tempo vivo,
paira o desespero
de teu braço erguido.
(do livro "No escuro da pronúncia")
Na boca da noite,
na língua da rua,
tu me chamas do oco
de uma sombra nua.
No riso do vento,
no olho da chuva,
me acenas de dentro
de uma coisa turva.
Envolves meu corpo
no teu mundo de água;
cada vez sou outro
noutro corpo e alma.
Conheço teus passos,
teus gestos conheço;
sobre os meus fracassos
vibra o teu começo.
Sobre o meu silêncio
cresce o teu ruído,
sobre a minha angústia
voa o teu segredo
e acima da noite,
sobre o tempo vivo,
paira o desespero
de teu braço erguido.
(do livro "No escuro da pronúncia")
martes, 31 de mayo de 2011
Oswald de Andrade
BALADA DO ESPLANADA
Ontem à noite
Eu procurei
Ver se aprendia
Como é que se fazia
Uma balada
Antes de ir
Pro meu hotel.
É que este
Coração
Já se cansou
De viver só
E quer então
Morar contigo
No Esplanada.
Eu qu'ria
Poder
Encher
Este papel
De versos lindos
É tão distinto
Ser menestrel
No futuro
As gerações
Que passariam
Diriam
É o hotel
Do menestrel
Pra m'inspirar
Abro a janela
Como um jornal
Vou fazer
A balada
Do Esplanada
E ficar sendo
O menestrel
De meu hotel
Mas não há poesia
Num hotel
Mesmo sendo
'Splanada
Ou Grand-Hotel
Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador
Oferta
Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor
Ontem à noite
Eu procurei
Ver se aprendia
Como é que se fazia
Uma balada
Antes de ir
Pro meu hotel.
É que este
Coração
Já se cansou
De viver só
E quer então
Morar contigo
No Esplanada.
Eu qu'ria
Poder
Encher
Este papel
De versos lindos
É tão distinto
Ser menestrel
No futuro
As gerações
Que passariam
Diriam
É o hotel
Do menestrel
Pra m'inspirar
Abro a janela
Como um jornal
Vou fazer
A balada
Do Esplanada
E ficar sendo
O menestrel
De meu hotel
Mas não há poesia
Num hotel
Mesmo sendo
'Splanada
Ou Grand-Hotel
Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador
Oferta
Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor
viernes, 27 de mayo de 2011
lunes, 18 de abril de 2011
Régis Bonvicino
Para Darly
À maneira de Creeley
Nada para um homem sujo
só água numa cuba
sequer um olhar
mãos sujas
aroma de
amantes talvez
ou além
alguma coisa como areia
para esfregar
com os dez dedos e ter
ao cabo —
o corpo dessa mulher
**********************
COM A BRUNA
(ela aos 8 anos)
Ao atravessar o parque
folhas sob os pés
pisando, em mim, o outono
***************************
O QUARTO
o quarto
cheio de espelhos
partidos
os cacos
de vidro
apinhados no cérebro
l
perseguem sonhos
cortam
na hora do sexo
De Más companhias, 1987
**************************
VARIAÇÕES
Casa de asa da noite
Que pode ser a morte
outro destempo ímóvel
marés da lua incógnitas
eco das ondas. Morta
a podre língua amante
e seus ramos de sombra
Até que se abra a porta
De Ossos de borboleta, 1996
À maneira de Creeley
Nada para um homem sujo
só água numa cuba
sequer um olhar
mãos sujas
aroma de
amantes talvez
ou além
alguma coisa como areia
para esfregar
com os dez dedos e ter
ao cabo —
o corpo dessa mulher
**********************
COM A BRUNA
(ela aos 8 anos)
Ao atravessar o parque
folhas sob os pés
pisando, em mim, o outono
***************************
O QUARTO
o quarto
cheio de espelhos
partidos
os cacos
de vidro
apinhados no cérebro
l
perseguem sonhos
cortam
na hora do sexo
De Más companhias, 1987
**************************
VARIAÇÕES
Casa de asa da noite
Que pode ser a morte
outro destempo ímóvel
marés da lua incógnitas
eco das ondas. Morta
a podre língua amante
e seus ramos de sombra
Até que se abra a porta
De Ossos de borboleta, 1996
domingo, 17 de abril de 2011
Beatriz Barata
Do livro "Caminho de volta" (2009)
CANÇÃO
Eu pinto com cores
as coisas que vejo.
Até mesmo as dores
eu pinto com cores.
E assim vou pintando
deserto e desejo.
Vivendo e amando
o que sinto e o que vejo.
CANÇÃO
Eu pinto com cores
as coisas que vejo.
Até mesmo as dores
eu pinto com cores.
E assim vou pintando
deserto e desejo.
Vivendo e amando
o que sinto e o que vejo.
Priscila Lopes
Do livro "Uns traços,todos imponderáveis" (2010)
Anotações
Três
Comprei um gato pra me fazer companhia. Ele não me esquenta a noite.
Ele não vem quando eu chamo. Ele não se apega a mim nem sequer à minha
casa - já tive que ir buscá-lo duas vezes na vizinha. Era melhor ter
ficado com o outro. Menos peludo.
**********
Mais umas de amor
Quando me dou conta, lá estou, contemplando paredes brancas.
Só não recorri à auto-ajuda porque entender é pesado demais. Já me basta
acreditar que tudo existe.
Tenho ainda dois desejos. Um deles é que você me tire daqui. O outro muitas
vezes esqueço.
Anotações
Três
Comprei um gato pra me fazer companhia. Ele não me esquenta a noite.
Ele não vem quando eu chamo. Ele não se apega a mim nem sequer à minha
casa - já tive que ir buscá-lo duas vezes na vizinha. Era melhor ter
ficado com o outro. Menos peludo.
**********
Mais umas de amor
Quando me dou conta, lá estou, contemplando paredes brancas.
Só não recorri à auto-ajuda porque entender é pesado demais. Já me basta
acreditar que tudo existe.
Tenho ainda dois desejos. Um deles é que você me tire daqui. O outro muitas
vezes esqueço.
Elvé Monteiro de Castro
Do livro "Pele & Papel" (2007)
Berreiro
Meus poemas, eu canto.
Canto, falo e grito.
A hacanéia nitre
e o anho é que bale.
Meu poema eu berro,
urro. E perco a voz.
Nada, nada existe ou faz
com que eu me cale.
******************
Magia
Seus cabelos são fios de seda, macios,
e seus olhos, vermelhos e verdes de fogo,
e sua pele, relva de pelos cor de pêssego,
e os seios? ah, os seios - pomos de ouro puro.
Minha amada é uma deusa vestida de nada
e um véu de renda branca, que baila no vento.
Esse amor eu procuro. Se não acho, invento.
Berreiro
Meus poemas, eu canto.
Canto, falo e grito.
A hacanéia nitre
e o anho é que bale.
Meu poema eu berro,
urro. E perco a voz.
Nada, nada existe ou faz
com que eu me cale.
******************
Magia
Seus cabelos são fios de seda, macios,
e seus olhos, vermelhos e verdes de fogo,
e sua pele, relva de pelos cor de pêssego,
e os seios? ah, os seios - pomos de ouro puro.
Minha amada é uma deusa vestida de nada
e um véu de renda branca, que baila no vento.
Esse amor eu procuro. Se não acho, invento.
Lília Diniz
Do livro "Miolo de pote da cacimba de beber" (2006)
Descuido de poeta
aos Ipês Amarelos
Por razão de encantamento
de hoje em diante
meu sorriso será
doidamente amarelo
como as flores de agosto
que hipnotizam
irradiando versos luminosos
ofuscando os que ignoram
a poesia incandescente
e arrebatam
as almas descuidadas
*******************
Cantiga de ninar
"luar, luar pega essa menina
e me ajuda a criar"
Elevada em
apelos poéticos
ao céu da tua cabeça
fui entregue à
deusa das
noites sertanejas
Descuido de poeta
aos Ipês Amarelos
Por razão de encantamento
de hoje em diante
meu sorriso será
doidamente amarelo
como as flores de agosto
que hipnotizam
irradiando versos luminosos
ofuscando os que ignoram
a poesia incandescente
e arrebatam
as almas descuidadas
*******************
Cantiga de ninar
"luar, luar pega essa menina
e me ajuda a criar"
Elevada em
apelos poéticos
ao céu da tua cabeça
fui entregue à
deusa das
noites sertanejas
Wilson Guanais
Do livro "Longe Assim..." (2008)
DEDICATÓRIA
ao leitor
a carne
do poema
ao não-leitor
os ossos
do ofício.
****************
PROJETO
um dia
eu quebro
o inquebrável
: a casca
do indizível.
DEDICATÓRIA
ao leitor
a carne
do poema
ao não-leitor
os ossos
do ofício.
****************
PROJETO
um dia
eu quebro
o inquebrável
: a casca
do indizível.
Wilson Gorj
Do livro "Prometo ser Breve" (2010)
FRUTO SECO
Sacudo meu dia
para que caia poesia.
Nada cai. Não tem fruto.
Só este tédio absoluto
sobre a tarde vazia.
*************
LIVRO BOM
É uma viagem só de ida.
Nunca nos devolve ao ponto de partida.
FRUTO SECO
Sacudo meu dia
para que caia poesia.
Nada cai. Não tem fruto.
Só este tédio absoluto
sobre a tarde vazia.
*************
LIVRO BOM
É uma viagem só de ida.
Nunca nos devolve ao ponto de partida.
viernes, 8 de abril de 2011
Cora Coralina
Das pedras
Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.
**********
Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.
**********
Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
martes, 22 de marzo de 2011
Cacaso
indefinição
pois assim é a poesia:
esta chama tão distante mas tão perto de
estar fria.
*************
happy end
meu amor e eu
nascemos um para o outro
agora só falta quem nos apresente
*************
alquimia sensual
tirante meus olhos e mãos
quero me transformar em seu corpo
com toda nudez experiente
do passado e do presente
e naquela noite
entre suspiros
terei aguardado a hora incrível
de tirar o sutiã
pois assim é a poesia:
esta chama tão distante mas tão perto de
estar fria.
*************
happy end
meu amor e eu
nascemos um para o outro
agora só falta quem nos apresente
*************
alquimia sensual
tirante meus olhos e mãos
quero me transformar em seu corpo
com toda nudez experiente
do passado e do presente
e naquela noite
entre suspiros
terei aguardado a hora incrível
de tirar o sutiã
martes, 8 de febrero de 2011
Chacal
Ontem
ontem hoje amanhã e sempre
a mesma coisa
às vezes varea
escassa rarea
vaza enche esvazia
depende do dia
****************
Culpado
foi mal lhe mal
tratei
como um tratante
mal educado
muito infeliz
pouco elegante
espero que
você me dê
mais uma chance
serei atento
a seu desejo
daqui em diante
*********************
É proibido pisar na grama
o jeito é deitar e rolar
ontem hoje amanhã e sempre
a mesma coisa
às vezes varea
escassa rarea
vaza enche esvazia
depende do dia
****************
Culpado
foi mal lhe mal
tratei
como um tratante
mal educado
muito infeliz
pouco elegante
espero que
você me dê
mais uma chance
serei atento
a seu desejo
daqui em diante
*********************
É proibido pisar na grama
o jeito é deitar e rolar
martes, 25 de enero de 2011
viernes, 21 de enero de 2011
Manoel de Barros
Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
****************
Auto-Retrato Falado
Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
****************
Auto-Retrato Falado
Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas.
Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci.
Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios.
Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos.
Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá-los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças.
Me procurei a vida inteira e não me achei pelo que fui salvo.
Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado.
Os bois me recriam.
Agora eu sou tão ocaso!
Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis.
No meu morrer tem uma dor de árvore.
martes, 11 de enero de 2011
lunes, 10 de enero de 2011
Herculano Neto
isabela boscov não viu o
meu documentário
faço poses
para uma vitrine de tarjas pretas
(recolho a barriga
observo de soslaio)
o reflexo tosco
me diz sem escrúpulos
que tenho prazo de validade
e hora marcada para ser feliz
queria discordar
mas não há argumentos
(CINEMA – 2008)
*********
CORAÇÃO DESAJEITADO
Derrubando
Tropeçando
Esbarrando
Confundindo.
Até o coração é desajeitado.
meu documentário
faço poses
para uma vitrine de tarjas pretas
(recolho a barriga
observo de soslaio)
o reflexo tosco
me diz sem escrúpulos
que tenho prazo de validade
e hora marcada para ser feliz
queria discordar
mas não há argumentos
(CINEMA – 2008)
*********
CORAÇÃO DESAJEITADO
Derrubando
Tropeçando
Esbarrando
Confundindo.
Até o coração é desajeitado.
viernes, 7 de enero de 2011
miércoles, 29 de diciembre de 2010
CONVITE (Celestino Neto)
Alice Ruiz
viernes, 5 de noviembre de 2010
viernes, 17 de septiembre de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
É a mesma a ruazinha sossegada - Mario Quintana
É a mesma a ruazinha sossegada.
Com as velhas rondas e as canções de outrora...
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!
Mas parece que a luz está cansada...
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora...
Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos...
Mas para quê?... Se não adiantam mais!...
Pobres cartazes por aí afora
Que inda anunciam: - Alegria - Risos
Depois do Circo já ter ido embora!...
Com as velhas rondas e as canções de outrora...
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!
Mas parece que a luz está cansada...
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora...
Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos...
Mas para quê?... Se não adiantam mais!...
Pobres cartazes por aí afora
Que inda anunciam: - Alegria - Risos
Depois do Circo já ter ido embora!...
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