primeiro verso do ano
é pra você
brisa que passa
deixando marca de brasa
Do livro DOIS EM UM,publicado em 2008 - Editora Iluminuras.SP
domingo, 28 de diciembre de 2008
viernes, 26 de diciembre de 2008
Esculturas em mármore de Ricardo Kersting
jueves, 25 de diciembre de 2008
¡Feliz navidad y feliz año nuevo!
sábado, 29 de noviembre de 2008
A rosa de Hiroxima

Vinícius de Moraes
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
domingo, 23 de noviembre de 2008
viernes, 14 de noviembre de 2008
viernes, 24 de octubre de 2008
lunes, 20 de octubre de 2008
Helena Quental
Miragem
Nem te vendo, estou crendo
Que te vejo e que estás sendo,
Uma coisa, um personagem!
Junto letras, crio palavras;
Te arquiteto, te construo!
Fabrico tua imagem
E te espero desde ontem,
Na estação que está no espelho.
...Naquele trem que não chega;
No trem que nunca vem...
Miragem, miragem, miragem!
Nem te vendo, estou crendo
Que te vejo e que estás sendo,
Uma coisa, um personagem!
Junto letras, crio palavras;
Te arquiteto, te construo!
Fabrico tua imagem
E te espero desde ontem,
Na estação que está no espelho.
...Naquele trem que não chega;
No trem que nunca vem...
Miragem, miragem, miragem!
sábado, 11 de octubre de 2008
Judas Isgorogota

Os Pêssegos
Mando-te, amor, uns pêssegos, dourados,
aureolados de cetíneos fios;
tenros como os teus seios, perfumados,
frágeis, sedosos, tépidos, macios ...
Lembra teu colo, de veludo-rosa,
a polpa suave, sedutora, amena,
de indizível doçura, capitosa,
como o teu lábio de mulher morena...
Qual se de nétar fabricada fosse,
tem o sabor divino da ambrosia;
doce como os teus olhos, juraria
que só o sorriso teu é assim tão doce...
Toma-os nos braços teus, com tais cuidados
e de maneira tal todos unindo,
que, maduros que estão, de sazonados
não se vão machucando e diluindo...
Mas, abraçando-os, com efetivo encanto,
faze que os seios túrgidos, rosados,
juntos, agora, aos pêssegos dourados,
não se misturem nem se igualem tanto...
Não sorrias, amor, de meus receios...
Evitarás, assim, que estas amenas
visões, tão lindas — pêssegos e seios —
não me pareçam pêssegos, apenas...
VOCÊ
Você...Você é tudo o que eu queria...
Tudo o que anseio que a ilusão me dê...
O meu sonho de amor de todo dia
Que nos meus olhos úmidos se lê...
Minha felicidade fugidia,
O meu sonho é você.....
Você...Você é a própria poesia
De tudo quanto em volta a mim se vê.
Se Deus quisesse dar-me certo dia
Tudo aquilo que eu quero que me dê,
Eu, sem pensar ao menos, pediria
Que me desse você!
Sonhos... glória imortal... seria um louco
Pedir tanta ilusão... Não sei por que,
Mesmo a ventura, que possuo tão pouco,
E tudo o mais que a vida ainda me dê,
Fortuna...amor...tudo eu daria, tudo,
Por você!
É que você tem todos os venenos...
É que seus lábios têm um não sei quê...
Os olhos de você são dois morenos
Que andam fazendo à noite cangerê...
Por tudo isso, eu pediria, ao menos,
Um pedacinho de você!
(As Amáveis Lembranças)
viernes, 3 de octubre de 2008
Liz Kasper
viernes, 26 de septiembre de 2008
In Extremis - Cairo Trindade
Quero que venhas,
cheia de desejos,
com a alma nua,
a me cobrir de beijos.
Quero que entres plena,
tragas mil carícias,
sede por lascívias,
fome de prazer.
Quero que chegues
como quem vai matar.
E que fiques,
como quem vai morrer.
cheia de desejos,
com a alma nua,
a me cobrir de beijos.
Quero que entres plena,
tragas mil carícias,
sede por lascívias,
fome de prazer.
Quero que chegues
como quem vai matar.
E que fiques,
como quem vai morrer.
Noite Vazia
SINOPSE
Dois amigos contratam os serviços de uma dupla de prostitutas. O que seria uma noite de prazer acaba se transformado em um embate entre os quartos, revelando pouco a pouco suas angústia e ressentimentos e aflorando seus sentimentos mais íntimos e profundos. Obra máxima de Walter Hugo Khouri, considerado por críticos e público como um dos filmes mais importantes do cinema nacional em todos os tempos.
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miércoles, 24 de septiembre de 2008
João Cabral de Melo Neto
Os Três Mal-Amados
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu
minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu
meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu
escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu
metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o
número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha
altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus
testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus
livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras
que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha,
escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o
uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no
banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e
das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas
dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a
escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos
olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre
nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua
chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do
largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma
mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos
mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras,
comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares,
cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas
chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia.
Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em
verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os
minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minhamão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta.
Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em
volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu
inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo
da morte.
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu
minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu
meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu
escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu
metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o
número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha
altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus
testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus
livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras
que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha,
escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o
uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no
banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e
das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas
dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a
escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos
olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre
nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua
chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do
largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma
mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos
mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras,
comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares,
cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas
chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia.
Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em
verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os
minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minhamão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta.
Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em
volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu
inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo
da morte.
martes, 23 de septiembre de 2008
Carlos Nejar
Soltos de imensidão
Os anos, Elza, já não gravam nada,
porque gravamos nós o tempo todo.
O teu cuidar, faz-me animar o fogo
e cada dia em nós, jamais se apaga.
Provados somos e o provar é um gomo
desta romã partida pelas águas.
Somos o fruto, somos a dentada
e a madureza de ir no mesmo sonho.
Os anos, Elza, não consertam mágoas,
mas as mágoas não correm, se corremos.
Não encanece a luz, onde são remos
da limpa madrugada, os nossos corpos.
Amamos. No existir estamos soltos,
soltos de imensidão entre as palavras.
Os meus sentidos
Um dia vi Deus numa palavra
e luminosa despontava, argila.
E Deus vagueava tudo, aquietava
as numinosas letras, quase em fila.
E depois se banhava nesta ilha
de bosques e bilênios. Clareava
as formigas noctâmbulas da fala.
E nele os meus sentidos se nutriam.
Os meus sentidos eram coelhos ébrios
na verdura de Deus entretecidos.
A palavra empurrava o que era cego,
a palavra luzia nos sentidos.
E Deus nas vistas do menino, roda
e roda nos olhos da palavra.
Os anos, Elza, já não gravam nada,
porque gravamos nós o tempo todo.
O teu cuidar, faz-me animar o fogo
e cada dia em nós, jamais se apaga.
Provados somos e o provar é um gomo
desta romã partida pelas águas.
Somos o fruto, somos a dentada
e a madureza de ir no mesmo sonho.
Os anos, Elza, não consertam mágoas,
mas as mágoas não correm, se corremos.
Não encanece a luz, onde são remos
da limpa madrugada, os nossos corpos.
Amamos. No existir estamos soltos,
soltos de imensidão entre as palavras.
Os meus sentidos
Um dia vi Deus numa palavra
e luminosa despontava, argila.
E Deus vagueava tudo, aquietava
as numinosas letras, quase em fila.
E depois se banhava nesta ilha
de bosques e bilênios. Clareava
as formigas noctâmbulas da fala.
E nele os meus sentidos se nutriam.
Os meus sentidos eram coelhos ébrios
na verdura de Deus entretecidos.
A palavra empurrava o que era cego,
a palavra luzia nos sentidos.
E Deus nas vistas do menino, roda
e roda nos olhos da palavra.
lunes, 15 de septiembre de 2008
viernes, 12 de septiembre de 2008
domingo, 7 de septiembre de 2008
DE PAPO PRO Á
Música de Olegário Mariano e Gilberto de Carvalho
Letra abaixo, para os ouvintes, uma poesia de Olegário Mariano
Olegário Mariano
De papo pro á
I
Não quero outra vida
Pescando no rio
De jereré
Tenho peixe bom...
Tem siri-patola
De dá com o pé
Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro á
II
Se compro na feira
Feijão rapadura
Pra que trabaiá
Eu gosto do rancho
O home não deve
Se amofiná
Estribilho
In: MASCARENHAS, Mário. O melhor da música popular brasileira. São Paulo: Irmãos Vitale, 1982. v.4, p.146-147
I
Não quero outra vida
Pescando no rio
De jereré
Tenho peixe bom...
Tem siri-patola
De dá com o pé
Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro á
II
Se compro na feira
Feijão rapadura
Pra que trabaiá
Eu gosto do rancho
O home não deve
Se amofiná
Estribilho
In: MASCARENHAS, Mário. O melhor da música popular brasileira. São Paulo: Irmãos Vitale, 1982. v.4, p.146-147
domingo, 31 de agosto de 2008
Renina Katz
Charlotta Adlerová
domingo, 24 de agosto de 2008
Más una vez... BRUNA LOMBARDI
UMA MULHER
Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.
Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.
martes, 19 de agosto de 2008
Mara Faturi
INSÔNIA
Têm noites que eu ando voadeira
Como se fosse inseto vagando
Batendo ( se debatendo)
na luz difusa da lâmpada acessa
não humana
não sentimento
não vertente
não pulsante
sem Orides
sem seus poemas
sem verbo
sem vibrar
noites de insônia
sonambulando
pela casa
recitando baixinho
-“nunca amar o que não vibra, nunca crer no que não canta"
ESPIA
Adiciono blogs de poesia
como se fossem salmos
e ali, muitas vezes
descubro santos
e santas
que me salvam da rotina
dos dias sem poesia
à noite
me ajoelho e rezo
agradeço pelas metáforas
rimas
ritmo
suspiros
luas
quimeras
desaparências
borboletas no quintal
e o cântico das palavras,
então adormeço
livre
de todo o pecado...
Têm noites que eu ando voadeira
Como se fosse inseto vagando
Batendo ( se debatendo)
na luz difusa da lâmpada acessa
não humana
não sentimento
não vertente
não pulsante
sem Orides
sem seus poemas
sem verbo
sem vibrar
noites de insônia
sonambulando
pela casa
recitando baixinho
-“nunca amar o que não vibra, nunca crer no que não canta"
ESPIA
Adiciono blogs de poesia
como se fossem salmos
e ali, muitas vezes
descubro santos
e santas
que me salvam da rotina
dos dias sem poesia
à noite
me ajoelho e rezo
agradeço pelas metáforas
rimas
ritmo
suspiros
luas
quimeras
desaparências
borboletas no quintal
e o cântico das palavras,
então adormeço
livre
de todo o pecado...
sábado, 16 de agosto de 2008
Márcia Cardeal
viernes, 15 de agosto de 2008
lunes, 11 de agosto de 2008
Wilson Guanais
Poético
já no começo
da conversa
transformo
nada
em
coisa nenhuma
: ou
vice-versa.
Epitáfio
deito aqui
os ossos
sem alma
e memória
: restos
apenas
de tudo
aquilo que
até ontem
eu era
- não sou
mais
: navio
e tripulação
(de amores)
- fantasmas.
Instantâneo
a mosca
e sua
aranha
dois
mistérios
e uma
teia
tecidos
do mesmo
fio.
já no começo
da conversa
transformo
nada
em
coisa nenhuma
: ou
vice-versa.
Epitáfio
deito aqui
os ossos
sem alma
e memória
: restos
apenas
de tudo
aquilo que
até ontem
eu era
- não sou
mais
: navio
e tripulação
(de amores)
- fantasmas.
Instantâneo
a mosca
e sua
aranha
dois
mistérios
e uma
teia
tecidos
do mesmo
fio.
lunes, 4 de agosto de 2008
Líria Porto
ressaca
era o sorriso da lua
estampado no horizonte
usava batom dourado
parece tinha beijado
a boca do sol de ontem
em vão
o moço boca de beijo
de cheiro bom e bigodes
aposto que nem se lembra
do quanto gosto que venha
ao portãozinho da frente
para um dedinho de prosa
adeus flor de miosótis
flor de açucena de abóbora
a noite chegou o vento
a nuvem a chuva a tristeza
a moita virou touceira
ficou escuro - e agora?
era o sorriso da lua
estampado no horizonte
usava batom dourado
parece tinha beijado
a boca do sol de ontem
em vão
o moço boca de beijo
de cheiro bom e bigodes
aposto que nem se lembra
do quanto gosto que venha
ao portãozinho da frente
para um dedinho de prosa
adeus flor de miosótis
flor de açucena de abóbora
a noite chegou o vento
a nuvem a chuva a tristeza
a moita virou touceira
ficou escuro - e agora?
domingo, 3 de agosto de 2008
jueves, 31 de julio de 2008
Cynthia Lopes
A Ponte
uma via de mão dupla
sem acostamento
a mureta estreita
tudo muito simples:
soltar as amarras
ou
deixar cair a pedra?
Amor à distância
um ponto
a outro
um quase nada
um muito tudo
igualmente
profundo
Oriental
Uma rara flor do Oriente.
Delicados gestos, lenços
e cores, dança guiada
pelo som de sementes
atiradas ao acaso.
A rosa desabrocha
para olhos de ressaca.
Cega a flor segue o ritmo
de seus precisos passos
sem perceber a serpente,
que sem constrangimento
arma o bote desfazendo
laços, expondo o marfim
das suas pétalas, pele.
Ah, serpente que corrompe
tudo aquilo em que toca!
Da aparência frágil, os
espinhos – adagas, que
voam rasgando o denso
coração das trevas.
uma via de mão dupla
sem acostamento
a mureta estreita
tudo muito simples:
soltar as amarras
ou
deixar cair a pedra?
Amor à distância
um ponto
a outro
um quase nada
um muito tudo
igualmente
profundo
Oriental
Uma rara flor do Oriente.
Delicados gestos, lenços
e cores, dança guiada
pelo som de sementes
atiradas ao acaso.
A rosa desabrocha
para olhos de ressaca.
Cega a flor segue o ritmo
de seus precisos passos
sem perceber a serpente,
que sem constrangimento
arma o bote desfazendo
laços, expondo o marfim
das suas pétalas, pele.
Ah, serpente que corrompe
tudo aquilo em que toca!
Da aparência frágil, os
espinhos – adagas, que
voam rasgando o denso
coração das trevas.
jueves, 24 de julio de 2008
viernes, 18 de julio de 2008
domingo, 13 de julio de 2008
viernes, 11 de julio de 2008
jueves, 10 de julio de 2008
Fanny Luíza Dupré
Primavera
De asas multicores
pousam nas flores do campo
frágeis borboletas.
Raios de luar.
Bolhas nas águas do lago.
Saltam rãs e sapos.
Inverno
Rua esburacada.
Brincando nas poças d’água.
O menino tosse.
De asas multicores
pousam nas flores do campo
frágeis borboletas.
Raios de luar.
Bolhas nas águas do lago.
Saltam rãs e sapos.
Inverno
Rua esburacada.
Brincando nas poças d’água.
O menino tosse.
domingo, 6 de julio de 2008
Ana Amélia
TEXTOS EN ESPAÑOL
TRADUCCIÓN DE
ADOVALDO FERNANDES SAMPAIO
FELICES
Felices son los poetas soñadores
Cuyos cuerpos en bronces perpetuados
Reposan en jardines y entre flores.
En los ojos vacíos de esos viejos rostros
Yo siento la mirada de artistas extasiados
Que ven cómo florecen las plantas y los árboles.
Felices los que fueron por las calles,
Visionários del sueño y de la belleza,
Cantando ajenas penas como suyas
Y que, aun recordados a su muerte,
En médio de la naturaleza floreciente,
Permanecen como símbolos sagrados.
Felices los que viven sin grandeza,
Pues serán para siempre recordados.
Extraído de la obra
VOCES FEMENINAS DE LA POESÍA BRASILEÑA
Goiânia: Editora Oriente, s.d
TRADUCCIÓN DE
ADOVALDO FERNANDES SAMPAIO
FELICES
Felices son los poetas soñadores
Cuyos cuerpos en bronces perpetuados
Reposan en jardines y entre flores.
En los ojos vacíos de esos viejos rostros
Yo siento la mirada de artistas extasiados
Que ven cómo florecen las plantas y los árboles.
Felices los que fueron por las calles,
Visionários del sueño y de la belleza,
Cantando ajenas penas como suyas
Y que, aun recordados a su muerte,
En médio de la naturaleza floreciente,
Permanecen como símbolos sagrados.
Felices los que viven sin grandeza,
Pues serán para siempre recordados.
Extraído de la obra
VOCES FEMENINAS DE LA POESÍA BRASILEÑA
Goiânia: Editora Oriente, s.d
viernes, 4 de julio de 2008
martes, 1 de julio de 2008
VI FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY 2008

Do dia 02/7/2008 a 06/07/2008
http://www.flip.org.br/

FLIP terá transmissão ao vivo de todas as mesas
Buscado atender ao constante crescimento de público, este ano a FLIP terá transmissão ao vivo na internet para todas as mesas. A inovação permitirá que qualquer pessoa possa acompanhar através do hotsite www.oi.com.br/flip os debates dos autores em tempo real.
viernes, 27 de junio de 2008
Alfredo Rossetti - Haicais
Acordar em mim
Abrir a porta e sair.
Poesia é assim.
O amor inunda
A vida (antes perdida)
Na noite profunda.
Um cacho de uva
Retem e faz sua refém
A gota de chuva.
Abrir a porta e sair.
Poesia é assim.
O amor inunda
A vida (antes perdida)
Na noite profunda.
Um cacho de uva
Retem e faz sua refém
A gota de chuva.
martes, 24 de junio de 2008
domingo, 22 de junio de 2008
Gregório de Matos - *Nosso poeta radical do séc. XVII
Soneto
Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.
Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.
O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c'os demais, que só, sisudo.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Epílogos
Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.
Quem a pôs neste socrócio?..........Negócio
Quem causa tal perdição?.............Ambição
E o maior desta loucura?...............Usura.
Notável desventura
de um povo néscio, e sandeu,
que não sabe, que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.
Quais são os seus doces objetos?....Pretos
Tem outros bens mais maciços?.....Mestiços
Quais destes lhe são mais gratos?...Mulatos.
Dou ao demo os insensatos,
dou ao demo a gente asnal,
que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.
Quem faz os círios mesquinhos?...Meirinhos
Quem faz as farinhas tardas?.........Guardas
Quem as tem nos aposentos?.........Sargentos.
Os círios lá vêm aos centos,
e a terra fica esfaimando,
porque os vão atravessando
Meirinhos, Guardas, Sargentos.
E que justiça a resguarda?.............Bastarda
É grátis distribuída?......................Vendida
Que tem, que a todos assusta?.......Injusta.
Valha-nos Deus, o que custa,
o que El-Rei nos dá de graça,
que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.
Que vai pela clerezia?..................Simonia
E pelos membros da Igreja?..........Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?.....Unha.
Sazonada caramunha!
enfim que na Santa Sé
o que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.
E nos frades há manqueiras?.........Freiras
Em que ocupam os serões?............Sermões
Não se ocupam em disputas?.........Putas.
Com palavras dissolutas
me concluís na verdade,
que as lidas todas de um Frade
são Freiras, Sermões, e Putas.
O açúcar já se acabou?..................Baixou
E o dinheiro se extinguiu?.............Subiu
Logo já convalesceu?.....................Morreu.
À Bahia aconteceu
o que a um doente acontece,
cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.
A Câmara não acode?...................Não pode
Pois não tem todo o poder?...........Não quer
É que o governo a convence?........Não vence.
Que haverá que tal pense,
que uma Câmara tão nobre
por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.
O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.
Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.
O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c'os demais, que só, sisudo.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Epílogos
Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.
Quem a pôs neste socrócio?..........Negócio
Quem causa tal perdição?.............Ambição
E o maior desta loucura?...............Usura.
Notável desventura
de um povo néscio, e sandeu,
que não sabe, que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.
Quais são os seus doces objetos?....Pretos
Tem outros bens mais maciços?.....Mestiços
Quais destes lhe são mais gratos?...Mulatos.
Dou ao demo os insensatos,
dou ao demo a gente asnal,
que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.
Quem faz os círios mesquinhos?...Meirinhos
Quem faz as farinhas tardas?.........Guardas
Quem as tem nos aposentos?.........Sargentos.
Os círios lá vêm aos centos,
e a terra fica esfaimando,
porque os vão atravessando
Meirinhos, Guardas, Sargentos.
E que justiça a resguarda?.............Bastarda
É grátis distribuída?......................Vendida
Que tem, que a todos assusta?.......Injusta.
Valha-nos Deus, o que custa,
o que El-Rei nos dá de graça,
que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.
Que vai pela clerezia?..................Simonia
E pelos membros da Igreja?..........Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?.....Unha.
Sazonada caramunha!
enfim que na Santa Sé
o que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.
E nos frades há manqueiras?.........Freiras
Em que ocupam os serões?............Sermões
Não se ocupam em disputas?.........Putas.
Com palavras dissolutas
me concluís na verdade,
que as lidas todas de um Frade
são Freiras, Sermões, e Putas.
O açúcar já se acabou?..................Baixou
E o dinheiro se extinguiu?.............Subiu
Logo já convalesceu?.....................Morreu.
À Bahia aconteceu
o que a um doente acontece,
cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.
A Câmara não acode?...................Não pode
Pois não tem todo o poder?...........Não quer
É que o governo a convence?........Não vence.
Que haverá que tal pense,
que uma Câmara tão nobre
por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
viernes, 20 de junio de 2008
Manabu Mabe
viernes, 13 de junio de 2008
Augusto dos Anjos
A dança da psiquê
A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombara, cedendo à ação de ignotos pesos!
É então que a vaga dos instintos presos
— Mãe de esterilidades e cansaços —
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.
Subitamente a cerebral coréa
Pára. O cosmos sintético da Idéa
Surge. Emoções extraordinárias sinto...
Arranco do meu crânio as nebulosas.
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!
A louca
A Dias Paredes
Quando ela passa: - a veste desgrenhada,
O cabelo revolto em desalinho,
No seu olhar feroz eu adivinho
O mistério da dor que a traz penada.
Moça, tão moça e já desventurada;
Da desdita ferida pelo espinho,
Vai morta em vida assim pelo caminho,
No sudário de mágoa sepultada.
Eu sei a sua história. - Em seu passado
Houve um drama d’amor misterioso
- O segredo d’um peito torturado -
E hoje, para guardar a mágoa oculta,
Canta, soluça - coração saudoso,
Chora, gargalha, a desgraçada estulta
A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombara, cedendo à ação de ignotos pesos!
É então que a vaga dos instintos presos
— Mãe de esterilidades e cansaços —
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.
Subitamente a cerebral coréa
Pára. O cosmos sintético da Idéa
Surge. Emoções extraordinárias sinto...
Arranco do meu crânio as nebulosas.
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!
A louca
A Dias Paredes
Quando ela passa: - a veste desgrenhada,
O cabelo revolto em desalinho,
No seu olhar feroz eu adivinho
O mistério da dor que a traz penada.
Moça, tão moça e já desventurada;
Da desdita ferida pelo espinho,
Vai morta em vida assim pelo caminho,
No sudário de mágoa sepultada.
Eu sei a sua história. - Em seu passado
Houve um drama d’amor misterioso
- O segredo d’um peito torturado -
E hoje, para guardar a mágoa oculta,
Canta, soluça - coração saudoso,
Chora, gargalha, a desgraçada estulta
domingo, 1 de junio de 2008
Oswald de Andrade
Canto de regresso à pátria
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
(in Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)
Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
Oferta
Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
(in Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)
Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
Oferta
Quem sabe
Se algum dia
Traria
O elevador
Até aqui
O teu amor
Gilberto Amado
Indiferença
Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado
passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto,
pudéssemos varrer nosso passado.
Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo.
Como se nunca me tivesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado
Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
se quando passo, teu olhar me alcança
se meus olhos te alcançam quando vais.
Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança.
Daqueles tempos que não voltam mais!
Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado
passo. E eu, baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto,
pudéssemos varrer nosso passado.
Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo.
Como se nunca me tivesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado
Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
se quando passo, teu olhar me alcança
se meus olhos te alcançam quando vais.
Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança.
Daqueles tempos que não voltam mais!
lunes, 26 de mayo de 2008
Cruz e Sousa
INEFÁVEL
Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda...
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.
Sou como um Réu de celestial sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda
De estrelas todo o céu em que erra e pensa.
Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!
Todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
Na minha alma volteando arrebatadas
Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda...
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.
Sou como um Réu de celestial sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda
De estrelas todo o céu em que erra e pensa.
Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo dos encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!
Todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
Na minha alma volteando arrebatadas
domingo, 25 de mayo de 2008
jueves, 22 de mayo de 2008
miércoles, 21 de mayo de 2008
Adélia Prado
Impressionista
Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
Parâmetro
Deus é mais belo que eu.
E não é jovem.
Isto sim, é consolo.
Explicação de poesia sem ninguém pedir
Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.
(in Bagagem)
Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
Parâmetro
Deus é mais belo que eu.
E não é jovem.
Isto sim, é consolo.
Explicação de poesia sem ninguém pedir
Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.
(in Bagagem)
domingo, 18 de mayo de 2008
¿ Quién conoce el "chorinho" brasileño ?
Chorinho passado, presente e futuro
O músico e pesquisador Henrique Cazes analisa em artigo inédito a história e as novas perspectivas do tradicional gênero
No ano de 2002 se completa um século da indústria fonográfica no Brasil. Ao longo de todo este tempo o choro esteve presente de uma forma ou de outra e penso que é um bom momento para fazer um balanço dessa relação nem sempre amigável.
Na fase das gravações mecânicas de 1902 até 1927 em termos proporcionais, foi quando mais se gravou choro. Bandas como as da Casa Edison e do Corpo de Bombeiros, solistas como Patápio Silva e José Maria dos Passos, grupos como o Choro Carioca (com o genial oficleide de Irineu de Almeida) e da Chiquinha Gonzaga; gravaram centenas de discos e ajudaram a fixar um repertório e uma forma de interpretar. Esse período é marcado por grande diversidade de formatos, incluindo trios e quartetos de sopro sem base e experiências de solos com instrumentos pouco usuais como a tuba, o bombardino e o hoje em desuso oficleide. É bom esclarecer que o citado oficleide é um instrumento de bocal similar a de um trombone e chaves como as de um sax. Foi o primeiro instrumento usado para fazer os contrapontos na região grave, conhecidos como baixarias.
Apesar de ser considerado um marco na história dos grupos de choro, os Oito Batutas (Pixinguinha, Donga, Nelson Alves, etc) quando comparados com os grupos citados anteriormente, representavam um retrocesso em termos de organização musical. Sorte é que tinham o gênio da flauta e da composição. No fim dos anos 20, Pixinguinha partiu para suas experiências com choros orquestrais e apesar de ter alcançado resultados como Carinhoso e Lamentos , o choro já caminhava para o afunilamento em termos de formato, fixando o "conjunto regional" que marcou a Era do Rádio. O chamado "regional" era um grupo formado por dois ou três violões, cavaquinho, pandeiro e um solista (flauta, bandolim, etc) e era pau pra toda obra. Um grupo que não precisava de arranjo escrito e acompanhava até o que não conhecia.
Os solistas mais importantes dessa época foram o clarinetista e saxofonista Luis Americano e o flautista Benedito Lacerda. O bandolim de Luperce Miranda também brilhou no período, onde apareceu o toque modernizador de Radamés Gnattali, especialmente nas gravações do Trio Carioca com Americano no clarinete e Luciano Perrone na bateria. Para as gravadoras da época os registros chorísticos aproveitavam a mão de obra contratada de solistas e arranjadores, mas não representavam volume comercial expressivo.
O tempo passou e só em meados da década de 40 começaram a surgir novidades realmente positivas. Pixinguinha fez acordo com Benedito Lacerda, passou para o sax e realizou entre 46 e 51 uma preciosa série de gravações. Outra novidade foi o choro tocado por formações influenciadas pelas big-bands americanas como a Orquestra Tabajara e a Orquestra de Fon-Fon. A inclusão de Tico-tico no Fubá em nada menos que cinco filmes americanos e o fato da gravação da organista Ethel Smith ter alcançado o hit parade, davam uma pista que o Choro podia ser algo realmente vendável.
No finzinho de 49 aconteceu o estouro de Brasileirinho e o começo do período de maior relevância comercial para a música e os músicos do choro. Waldir Azevedo na Continental, Jacob do Bandolim na RCA Victor, Garoto na Odeon, Zé Menezes na Sinter, disputavam espaço numa concorrência extremamente produtiva. Num mesmo ano, o de 54, Altamiro Carrilho estourou com o maxixe Rio Antigo e Chiquinho do Acordeon e Garoto arrebentaram com o dobrado São Paulo Quatrocentão. As emissoras de rádio reservavam quartos de hora para seus solistas e os nomes já citados se tornaram nacionalmente conhecidos.
A ascensão da bossa-nova, seguida da jovem guarda e outras ondas, fizeram da década de 60 um período de ocaso para o choro. Para piorar Jacob, o maior líder dessa fase, morreu repentinamente em 69, deixando uma impressão de que o choro estava pela bola sete. O pior é que em 73 foi a vez do maior gênio do estilo, Pixinguinha, ir embora. Quando tudo apontava para baixo veio uma fase que parecia ser de renascimento e que apesar de efêmera, revelou nomes como Joel Nascimento, Déo Rian e Zé da Velha. Dos grupos novos que surgiram nos anos 70 só dois chegaram ao disco Os Carioquinhas e o hoje longevo Galo Preto. Os outros grupos demoraram a amadurecer e quando viram a onda já tinha passado.
Seguiu-se então o período menos fértil em termos fonográficos de toda a história do choro. Os músicos jovens em sua maioria só queriam estudar em Boston e tocar fusion. O começo da década de 80 foi a fase em que tocar choro era quase uma iniciativa suicida.
Passados alguns anos a situação foi mudando. Começou a surgir uma produção fonográfica alternativa, em discos independentes ou através de pequenosa selos, uma novidade no meio fonográfico de então. Posso dizer sem falsa modéstia, que trabalhei arduamente na reconstrução de um espaço fonográfico para a musicalidade chorística. São dessa fase meus primeiros discos de solista, os discos da Orquestra Pixinguinha, da Orquestra de Cordas Brasileiras, a série Sempre com Pixinguinha, Jacob e Radamés, entre vários outros.
Na segunda metade da década passada vimos ressurgir uma parte da discografia em CDs o que ajudou a colocar lenha na fogueira. Os novos grupos que surgiram no período já estrearam com qualidade de produção mais profissional, o que exolica por exemplo a rápida ascensão do Trio Madeira Brasil.
Em 2000 foi a vez de surgir a Acari, primeira gravadora especializada em Choro e que está marcando sua atuação por lançar discos de artistas que não estavam disponíveis como solistas. Por fim chegamos a um fenômeno curioso. Depois de cuspir o choro para fora do mercado nos anos 80, as grandes gravadoras brasileiras começam a redescobrí-lo, normalmente através de produções feitas para o exterior como Bach no Brasil (EMI) e Café Brasil (Teldec-WEA). O sucesso da caixa de três CDs com os registros de Jacob do Bandolim (BMG) encorajou outras empresas e são aguardados produtos semelhantes abordando as gravações de Pixinguinha e Benedito Lacerda, Waldir Azevedo e os anos 50 de Pixinguinha com a Velha Guarda. Quem viver ouvirá.
Henrique Cazes é músico dos mais atuantes na cena instrumental brasileira, produtor, compositor e autor do livro Choro, do Quintal ao Municipal
http://cliquemusic.uol.com.br/br/Resgate/Resgate.asp?Nu_materia=3751
O músico e pesquisador Henrique Cazes analisa em artigo inédito a história e as novas perspectivas do tradicional gênero
No ano de 2002 se completa um século da indústria fonográfica no Brasil. Ao longo de todo este tempo o choro esteve presente de uma forma ou de outra e penso que é um bom momento para fazer um balanço dessa relação nem sempre amigável.
Na fase das gravações mecânicas de 1902 até 1927 em termos proporcionais, foi quando mais se gravou choro. Bandas como as da Casa Edison e do Corpo de Bombeiros, solistas como Patápio Silva e José Maria dos Passos, grupos como o Choro Carioca (com o genial oficleide de Irineu de Almeida) e da Chiquinha Gonzaga; gravaram centenas de discos e ajudaram a fixar um repertório e uma forma de interpretar. Esse período é marcado por grande diversidade de formatos, incluindo trios e quartetos de sopro sem base e experiências de solos com instrumentos pouco usuais como a tuba, o bombardino e o hoje em desuso oficleide. É bom esclarecer que o citado oficleide é um instrumento de bocal similar a de um trombone e chaves como as de um sax. Foi o primeiro instrumento usado para fazer os contrapontos na região grave, conhecidos como baixarias.
Apesar de ser considerado um marco na história dos grupos de choro, os Oito Batutas (Pixinguinha, Donga, Nelson Alves, etc) quando comparados com os grupos citados anteriormente, representavam um retrocesso em termos de organização musical. Sorte é que tinham o gênio da flauta e da composição. No fim dos anos 20, Pixinguinha partiu para suas experiências com choros orquestrais e apesar de ter alcançado resultados como Carinhoso e Lamentos , o choro já caminhava para o afunilamento em termos de formato, fixando o "conjunto regional" que marcou a Era do Rádio. O chamado "regional" era um grupo formado por dois ou três violões, cavaquinho, pandeiro e um solista (flauta, bandolim, etc) e era pau pra toda obra. Um grupo que não precisava de arranjo escrito e acompanhava até o que não conhecia.
Os solistas mais importantes dessa época foram o clarinetista e saxofonista Luis Americano e o flautista Benedito Lacerda. O bandolim de Luperce Miranda também brilhou no período, onde apareceu o toque modernizador de Radamés Gnattali, especialmente nas gravações do Trio Carioca com Americano no clarinete e Luciano Perrone na bateria. Para as gravadoras da época os registros chorísticos aproveitavam a mão de obra contratada de solistas e arranjadores, mas não representavam volume comercial expressivo.
O tempo passou e só em meados da década de 40 começaram a surgir novidades realmente positivas. Pixinguinha fez acordo com Benedito Lacerda, passou para o sax e realizou entre 46 e 51 uma preciosa série de gravações. Outra novidade foi o choro tocado por formações influenciadas pelas big-bands americanas como a Orquestra Tabajara e a Orquestra de Fon-Fon. A inclusão de Tico-tico no Fubá em nada menos que cinco filmes americanos e o fato da gravação da organista Ethel Smith ter alcançado o hit parade, davam uma pista que o Choro podia ser algo realmente vendável.
No finzinho de 49 aconteceu o estouro de Brasileirinho e o começo do período de maior relevância comercial para a música e os músicos do choro. Waldir Azevedo na Continental, Jacob do Bandolim na RCA Victor, Garoto na Odeon, Zé Menezes na Sinter, disputavam espaço numa concorrência extremamente produtiva. Num mesmo ano, o de 54, Altamiro Carrilho estourou com o maxixe Rio Antigo e Chiquinho do Acordeon e Garoto arrebentaram com o dobrado São Paulo Quatrocentão. As emissoras de rádio reservavam quartos de hora para seus solistas e os nomes já citados se tornaram nacionalmente conhecidos.
A ascensão da bossa-nova, seguida da jovem guarda e outras ondas, fizeram da década de 60 um período de ocaso para o choro. Para piorar Jacob, o maior líder dessa fase, morreu repentinamente em 69, deixando uma impressão de que o choro estava pela bola sete. O pior é que em 73 foi a vez do maior gênio do estilo, Pixinguinha, ir embora. Quando tudo apontava para baixo veio uma fase que parecia ser de renascimento e que apesar de efêmera, revelou nomes como Joel Nascimento, Déo Rian e Zé da Velha. Dos grupos novos que surgiram nos anos 70 só dois chegaram ao disco Os Carioquinhas e o hoje longevo Galo Preto. Os outros grupos demoraram a amadurecer e quando viram a onda já tinha passado.
Seguiu-se então o período menos fértil em termos fonográficos de toda a história do choro. Os músicos jovens em sua maioria só queriam estudar em Boston e tocar fusion. O começo da década de 80 foi a fase em que tocar choro era quase uma iniciativa suicida.
Passados alguns anos a situação foi mudando. Começou a surgir uma produção fonográfica alternativa, em discos independentes ou através de pequenosa selos, uma novidade no meio fonográfico de então. Posso dizer sem falsa modéstia, que trabalhei arduamente na reconstrução de um espaço fonográfico para a musicalidade chorística. São dessa fase meus primeiros discos de solista, os discos da Orquestra Pixinguinha, da Orquestra de Cordas Brasileiras, a série Sempre com Pixinguinha, Jacob e Radamés, entre vários outros.
Na segunda metade da década passada vimos ressurgir uma parte da discografia em CDs o que ajudou a colocar lenha na fogueira. Os novos grupos que surgiram no período já estrearam com qualidade de produção mais profissional, o que exolica por exemplo a rápida ascensão do Trio Madeira Brasil.
Em 2000 foi a vez de surgir a Acari, primeira gravadora especializada em Choro e que está marcando sua atuação por lançar discos de artistas que não estavam disponíveis como solistas. Por fim chegamos a um fenômeno curioso. Depois de cuspir o choro para fora do mercado nos anos 80, as grandes gravadoras brasileiras começam a redescobrí-lo, normalmente através de produções feitas para o exterior como Bach no Brasil (EMI) e Café Brasil (Teldec-WEA). O sucesso da caixa de três CDs com os registros de Jacob do Bandolim (BMG) encorajou outras empresas e são aguardados produtos semelhantes abordando as gravações de Pixinguinha e Benedito Lacerda, Waldir Azevedo e os anos 50 de Pixinguinha com a Velha Guarda. Quem viver ouvirá.
Henrique Cazes é músico dos mais atuantes na cena instrumental brasileira, produtor, compositor e autor do livro Choro, do Quintal ao Municipal
http://cliquemusic.uol.com.br/br/Resgate/Resgate.asp?Nu_materia=3751
jueves, 15 de mayo de 2008
martes, 13 de mayo de 2008
Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no mei do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
**********************************
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, proptesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
viernes, 9 de mayo de 2008
Ernesto Nazareth - Composição "Odeon" interpretada por Sebastião Tapajós (violonista)
Pianista e compositor brasileiro; participante assíduo de rodas de choro; autor de tangos famosos como Odeon, Brejeiro e Sertaneja.
Clarice Lispector

A Lucidez Perigosa
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade
- essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
jueves, 8 de mayo de 2008
Chiquinha Gonzaga
Pioneira maestrina brasileira, na arte do Choro; autora de um dos maiores clássicos do carnaval: a marcha Ô Abre Alas.
Cora Coralina

Ana Lins de Guimarães Peixoto Bretas, nasceu no estado de Goiás (Goiás Velho) em 1889. Filha de Jacinta Luíza do Couto Brandão Peixoto e do Desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães. Em 25 de novembro de 1911 deixa Goiás indo morar no interior de São Paulo. Volta para Goiás em 1954, depois de 45 anos.
Cora Coralina era chamada Aninha da Ponte da Lapa. Tendo apenas instrução primária e sendo doceira de profissão.
Publicou seu primeiro livro aos 75 anos de idade. Ficou famosa principalmente quando suas obras chegaram até as mãos de Carlos Drummond de Andrade, quando ela tinha quase 90 anos de idade.
Sua obra se caracteriza pela espontaneidade e pelo retrato que traça do povo do seu Estado, seus costumes e seus sentimentos.
Faleceu em 10 abril de 1985 em Goiânia.
POEMAS:
Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Cora Coralina (Outubro, 1981)
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RESSALVA
Versos... não
Poesia... não
um modo diferente de contar velhas histórias
Cora Coralina (Poemas dos Becos de Goiás )
Assim eu vejo a vida
A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
Cora Coralina
--------------------------------------------------------------------------------
domingo, 4 de mayo de 2008
Cecília Meireles

Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
jueves, 1 de mayo de 2008
viernes, 25 de abril de 2008
Pintores Naif - Arte Brasileña Contemporánea
Vinícius de Moraes

POEMA DOS OLHOS DA AMADA
Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas era
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.
(Antologia Poética)
martes, 22 de abril de 2008
Noites De Cetim

Composição: Herman Torres/Sérgio Natureza
Pelo sim, pelo não
Eu prefiro o vão
Do portão do meio
Pelo sim, pelo são
Eu prefiro o pão
Feito de centeio
Pelo sim, pelo tão
Esperado fim
Refinado e feio
Ainda guardo em mim
Noites de cetim
Lua de marfim
Dias de sol cheio
Pra depois prosseguir
Reverter, fluir
De retorno ao seio
Viajar pelo som
Espalhando luz
Pela Eternidade.
Dez Mil Dias

Composição: Paulo machado
Vou me lembrando agora
Dos dias que eu já vivi
Mais de dez mil dias vão indo embora
Ai, é natural eu estar assim
Sonhei de mais, nem percebi
Que esse tempo passa
E a gente nem nota
Mas não, eu não quero
Viver me iludindo
Enfrento meu medo
Pra vida ir seguindo
E tudo que tenho a fazer
É não deixar de viver
Quando o caminho se abrir eu vou
Pedaço De Canção

Composição: Moraes Moreira/Fausto Nilo
Que uma canção pelo céu levaria
No véu da cidade na melhor sintonia
Todo o meu coração
Mas as frases que eu grito
Em bocas tão desiguais
São pedaços daquilo que sinto
E não canto jamais
Que eu repito
Em bocas tão desiguais
São pedaços daquilo que sinto
E não canto jamais
Portanto eu minto
No tom maior do violão
Quando pressinto
Nesse acorde menor a maior emoção
Que uma canção pelo céu levaria
No véu da cidade na melhor sintonia
No rádio do carro uma voz anuncia
O final da canção.
sábado, 19 de abril de 2008
Museu do Inconsciente
Nise da Silveira, psiquiatra que revolucionou os métodos de atendimento ao portador de transtornos mentais no Brasil, principalmente dos esquizofrênicos, cria, em 1946, no Centro Psiquiátrico Pedro II, hoje Instituto Municipal Nise da Silveira, uma oficina de Terapêutica Ocupacional, para aliviar a dor do conflito psicológico deste indivíduo hermético, visto por muitos como incompreensível em seus delírios e alucinações.
O pioneirismo de suas ações desencadearam uma Reforma Psiquiátrica no país, inaugurando na cultura brasileira - o Museu de Imagens do Inconsciente, fundado em 1952, cuja mostra expressa em arte o mundo interno de seus pacientes.
Primeira tela abaixo óleo sobre tela, 83,0 x 67,0 cm, 1954, por Fernando Diniz;
Segunda tela lápis-cera sobre cartolina, 43,0 x 33,0 cm, 1976, por Carlos Pertius.
O pioneirismo de suas ações desencadearam uma Reforma Psiquiátrica no país, inaugurando na cultura brasileira - o Museu de Imagens do Inconsciente, fundado em 1952, cuja mostra expressa em arte o mundo interno de seus pacientes.
Primeira tela abaixo óleo sobre tela, 83,0 x 67,0 cm, 1954, por Fernando Diniz;
Segunda tela lápis-cera sobre cartolina, 43,0 x 33,0 cm, 1976, por Carlos Pertius.

viernes, 18 de abril de 2008
Ferreira Gullar
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
lunes, 14 de abril de 2008
Caprichos&Relaxos - Paulo Leminski

a noite
me pinga uma estrela no olho
e passa
*
casa com cachorro brabo
meu anjo da guarda
abana o rabo
°
entre a dívida externa
e a dúvida interna
meu coração
comercial
alterna
*
parem
eu confesso
sou poeta
cada manhã que nasce
me nasce
uma rosa na face
parem
eu confesso
sou poeta
só meu amor é meu deus
eu sou o seu profeta
eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora
quem está por fora
não segura
um olhar que demora
de dentro de meu centro
este poema me olha
°
um poema
que não se entende
é digno de nota
a dignidade suprema
de um navio
perdendo a rota
Mais Chico Buarque

Morena dos olhos d'água
Chico Buarque/1966
Morena dos olhos d'água
Tira os seus olhos do mar
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar
Descansa em meu pobre peito
Que jamais enfrenta o mar
Mas que tem abraço estreito, morena
Com jeito de lhe agradar
Vem ouvir lindas histórias
Que por seu amor sonhei
Vem saber quantas vitórias, morena
Por mares que só eu sei
O seu homem foi-se embora
Prometendo voltar já
Mas as ondas não tem hora, morena
De partir ou de voltar
Passa a vela e vai-se embora
Passa o tempo e vai também
Mas meu canto ainda lhe implora, morena
Agora, morena, vem
miércoles, 9 de abril de 2008
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